Vitamina popular pode ter efeito promissor em cânceres do sangue

Estudo de fase 2 aponta sobrevida maior no grupo que recebeu vitamina C, mas resultados ainda precisam de confirmação.

Um ensaio clínico de fase 2 sugere que a vitamina C poderia beneficiar pessoas com distúrbios sanguíneos pré-cancerosos e cânceres do sangue em estágio inicial. Os resultados da análise foram publicados nesta segunda-feira (21) pela American Cancer Society.

Segundo um comunicado do Instituto Van Andel (EUA), pessoas com doenças pré-cancerosas e cânceres do sangue em estágio inicial que tomaram doses diárias de 1.000 mg de vitamina C oral tinham probabilidade significativamente maior de estar vivas após quase três anos de acompanhamento do que aquelas que receberam placebo.

Detalhes do ensaio

No estudo participaram 109 pessoas diagnosticadas com citopenia clonal de significado incerto (CCUS) ou síndrome mielodisplásica (SMD), distúrbios que podem evoluir para leucemia mieloide aguda. Nenhum dos integrantes estava recebendo tratamento oncológico no momento do ensaio.

Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu 1.000 mg diários de vitamina C oral durante um ano, e o outro, um placebo idêntico em aparência, sabor e odor.

Além de acompanhar a evolução clínica dos pacientes, os pesquisadores analisaram amostras de sangue para medir os níveis de vitamina C e outros marcadores biológicos. Mais da metade dos integrantes apresentava deficiência de vitamina C no início do estudo, e no grupo tratado os níveis normalizaram após o início da suplementação.

Um indício promissor, mas sem confirmação

Segundo as conclusões, não houve diferença significativa entre o grupo da vitamina C e o do placebo na velocidade de crescimento de células sanguíneas anormais, um indicador habitual de progressão para leucemia.

No entanto, a análise exploratória mostrou que quem consumiu a vitamina tinha uma sobrevida significativamente maior após aproximadamente três anos de acompanhamento. Os pesquisadores insistem que esse ponto deverá ser confirmado em um ensaio clínico de fase 3 mais amplo.

A professora e hematologista Kirsten Grønbæk sustentou que os dados ainda são preliminares. "É cedo demais para fazer recomendações definitivas com base em nossos resultados, mas temos a esperança de que um estudo mais amplo forneça mais informações".