Suspender as negociações comerciais com os Estados Unidos foi a decisão correta, afirmou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, esclarecendo que seu país está disposto a retomar as conversas quando os EUA demonstrarem essa vontade, desde que a sua soberania, os idiomas oficiais e a cultura sejam respeitados.
"No mês passado, tomamos a decisão correta de suspender nossas negociações com os Estados Unidos", declarou o primeiro-ministro, que agradeceu ao povo canadense e acrescentou: "Sabíamos quais eram as prioridades dos canadenses. Sabíamos quais são os valores dos canadenses. Não foi difícil traçar as linhas vermelhas".
"Eles ofereceram muito pouco. Não podíamos aceitar. Pediram demais. Não teríamos cedido", explicou Carney. "Agora, quando os Estados Unidos estiverem prontos para retornar à mesa de negociações, estaremos preparados para chegar a um acordo de boa-fé, que respeite nossa soberania e não apenas proteja, mas também promova nossos idiomas oficiais e nossa cultura, concluiu.
A defesa da língua francesa é um dos pontos de discórdia entre os dois lados, embora não seja o único. Anteriormente, Carney afirmou que, para Washington, as questões relativas à língua francesa e à cultura quebequense "causam irritação", mas no Canadá são "direitos fundamentais". O primeiro-ministro também observou que existe "uma enorme diferença" entre as perspectivas americana e canadense.
- O Canadá e os EUA estão envolvidos em uma grave guerra comercial após o colapso das negociações no mês passado. O presidente Donald Trump tem instado repetidamente seu vizinho do norte a se tornar o 51º estado dos EUA.
- Em resposta às tarifas de 50% impostas por Washington, Ottawa aplicou tarifas retaliatórias sobre US$ 20 bilhões em exportações americanas.
- A crise econômica se agravou a tal ponto que um crescente movimento cidadão no Canadá busca boicotar produtos americanos em favor do consumo interno.