O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que os líderes europeus teriam convencido Donald Trump a desistir de uma proposta feita a Vladimir Putin durante a reunião no Alasca, em 2025. Lavrov ressaltou que Moscou já havia aceitado a proposta.
"Foram os europeus que — dirigindo-se às pressas a Washington em uma grande delegação — se agarraram ao presidente Trump e o dissuadiram de manter a proposta americana que nós havíamos aceitado", afirmou o chanceler nesta terça-feira (15), durante uma reunião sobre a solução do conflito ucraniano.
Segundo chanceler russo, o conflito poderia ter terminado há mais de um ano, caso o acordo de Anchorage não tivesse sido interrompido.
"Se os americanos não tivessem recuado em relação aos acordos e se a Europa não os tivesse afastado desses acordos, já estaríamos vivendo sem guerra há um ano", ressaltou.
O chefe da diplomacia russa também apontou que a Europa pretendia "infligir à Rússia uma derrota estratégica", mas agora todos estão "implorando por um 'cessar-fogo justo' ao longo das atuais linhas de contato".
"No entanto, eles sabem perfeitamente que, em Anchorage, há mais de um ano, nós aceitamos a proposta apresentada pelos americanos. Tal proposta também previa a cessação das hostilidades sob certas condições que nos eram aceitáveis", acrescentou.
A histórica cúpula
A histórica cúpula no Alasca entre os presidentes russo e americano foi realizada em 15 de agosto de 2025 na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, em Anchorage.
Em junho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou concordou em aceitar as concessões apresentadas pelos negociadores americanos.
Embora nenhum documento tenha sido assinado, foram discutidos caminhos para encerrar o conflito na Ucrânia.
Lavrov afirmou que a Rússia havia aceitado as propostas americanas no Alasca.
"Mas um fato é um fato: no Alasca, debateram-se as propostas dos EUA, que foram aceitas pelo lado russo", disse ele.
O assessor da Presidência russa, Yuri Ushakov, por sua vez, declarou que Moscou já não espera o cumprimento dos acordos alcançados durante a cúpula de Anchorage, mas sim a vitória.