Lavrov dá detalhes das conversas com enviados de Trump

O chanceler russo afirmou que Washington aceita "a realidade no terreno" e considera encerrada a questão da adesão da Ucrânia à OTAN.

As conversas em Moscou no último fim de semana com os enviados de Washington, Steve Witkoff e Jared Kushner, foram baseadas na posição do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a questão ucraniana, que deriva de dois elementos fundamentais: a rejeição categórica da entrada de Kiev na OTAN e o reconhecimento das atuais realidades territoriais, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta terça-feira (8), em um programa de televisão.

O chanceler lembrou que Trump, após regressar da cúpula de Anchorage,  no Alasca, onde se reuniu com Vladimir Putin em agosto de 2025, afirmou que "não deveria haver sequer uma tentativa de arrastar a Ucrânia para a Aliança do Atlântico Norte", acrescentando que "o assunto está encerrado e não deve ser reaberto".

"As realidades no terreno que o presidente Trump e a sua equipe reconhecem estão ligadas ao povo, às suas opiniões expressas em referendos na Crimeia, nas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e, claro, nas províncias de Zaporozhie e Kherson", observou Lavrov.

Ele também afirmou que o fato de os americanos partirem das realidades em todos os seus contatos com Moscou, especialmente com Putin, gera "uma resposta positiva" e "uma disposição para continuar o diálogo".

"Eles reconhecem os aspectos fundamentais e, com base neles, tentam ser úteis. E acho que isso merece apoio", enfatizou.

Questão territorial

O chanceler enfatizou que, no que diz respeito aos ganhos territoriais russos no conflito com o regime ucraniano, "não se trata de territórios, mas de realidades, de pessoas que foram rotuladas como 'não humanas', 'criaturas' e 'terroristas' após rejeitarem o golpe" em Kiev, em fevereiro de 2014.

Ele também lembrou que os golpistas usaram "o exército, aviões de combate e artilharia contra esses habitantes, o que é categoricamente proibido pelo direito internacional humanitário".

Lavrov não quis revelar mais detalhes, observando que a tradição diplomática russa dita limitar as informações ao que é divulgado publicamente.

"Não quero me assemelhar àqueles que agora começam a especular sobre o que o Sr. Witkoff e o Sr. Kushner levaram para Moscou e o que trouxeram de volta para Kiev", declarou.