Notícias

'Israel não está acima do direito internacional', diz relatora da ONU à RT

Francesca Albanese, que foi sancionada por Washington após publicar relatórios sobre a cumplicidade de empresas e do Estado no genocídio na Faixa de Gaza, descreveu as sanções contra ela e contra o Tribunal Penal Internacional como "um passo muito grave".
'Israel não está acima do direito internacional', diz relatora da ONU à RTGettyimages.ru / Amir Levy /

A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados,Francesca Albanese, denunciou, em entrevista à RT, a estratégia de Israel de utilizar acusações de antissemitismo para silenciar críticas baseadas no direito internacional, enquanto Tel Aviv continua violando os direitos humanos do povo palestino — algo que ela classificou como "violento e desprezível".

"Israel não está acima do direito internacional. Deve respeitar, como membro da comunidade internacional, os direitos humanos e o direito à autodeterminação do povo palestino", declarou ela, apontando que, "em vez disso, aproveita-se da impunidade e do medo de muitos de serem rotulados como antissemitas".

Albanese, que foi sancionada por Washington após publicar relatórios sobre a cumplicidade de empresas e do Estado no genocídio na Faixa de Gaza, descreveu as sanções contra ela e contra o Tribunal Penal Internacional como "um passo muito grave".

"Juízes e promotores que investigam crimes de guerra e crimes contra a humanidade — potencialmente o genocídio israelense — foram sancionados pelos Estados Unidos", declarou.

"Ficar fora do sistema"

Ela apontou que "ser classificada como um perigo" para o país norte-americano "significa ficar fora de seu sistema", e revelou que teve contas bancárias e um apartamento que possuía nos EUA bloqueados.

A jurista ressaltou que seu trabalho "não é de militância, é uma questão jurídica e de justiça", acrescentando que se trata "de integridade e de solidariedade com as vítimas".

Atualmente, Albanese vive na Tunísia sob a proteção do governo tunisiano após receber ameaças de morte e de violência contra sua família. "Não se está protegido em parte alguma dos ataques daqueles que defendem o 'apartheid' israelense", denunciou. 

"As sanções são um sinal de fraqueza do sistema americano; elas revelam que eles sentem a pressão no momento em que precisam atacar indivíduos", concluiu.