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Objetivo de ser 'o melhor parceiro': que acordos Colômbia assinou com EUA durante visita de Rubio?

Durante a reunião, surgiu um roteiro que eles chamaram de "Acordos de Barranquilla", que gira em torno da "reconstrução da pátria, recuperação da economia e proteção do hemisfério".
Objetivo de ser 'o melhor parceiro': que acordos Colômbia assinou com EUA durante visita de Rubio?AP / Fernando Vergara, Pool

O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, recebeu o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Barranquilla na terça-feira (8), primeira parada da breve viagem do representante dos EUA por três países da América do Sul.

"Estamos retomando uma relação histórica e muito próxima, interrompida por quatro anos, mas que sempre esteve presente nos alicerces da alma colombiana. Porque os EUA têm sido nossos aliados, nós temos sido aliados deles; e quando os EUA e a Colômbia trabalharam juntos, a única coisa que nosso povo teve foi progresso, segurança e desenvolvimento", afirmou De la Espriella em uma declaração conjunta.

Rubio, seguindo a mesma linha, afirmou que a visita serve para "restaurar a relação natural que existe" entre os dois países e "para entrar numa nova e inédita fase de cooperação, ainda mais forte do que antes". Isto, insistiu, surge após o afastamento que se desenvolveu durante o governo anterior de Gustavo Petro.

No encontro, Rubio e o Ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula Escobar, assinaram dois memorandos de entendimento.

O primeiro estabelece um quadro de cooperação para "garantir as cadeias de suprimentos na mineração e no processamento de minerais críticos e elementos de terras raras".

O documento estabelece o roteiro conjunto para garantir o fornecimento dos recursos, que são estratégicos para a indústria de tecnologia e para a transição energética.

O segundo memorando trata da "cooperação estratégica civil em matéria nuclear" e propõe um quadro mútuo para o uso pacífico da energia.

"Reconstruir a pátria"

Após receber Rubio e antes de uma declaração conjunta, De la Espriella escreveu no X: "O encontro de alto nível confirma, com fatos e absoluta determinação, que a aliança estratégica entre a Colômbia e os Estados Unidos está mais forte do que nunca."

Mais tarde, em sua declaração, agradecendo a Washington e destacando que o país havia ajudado com US$ 26,5 milhões em assistência humanitária em resposta à situação causada pelo recente terremoto, destacou que esta visita representava um passo adiante: "Passar da solidariedade na emergência para uma parceria estratégica de longo prazo ".

Em seguida, explicou que da reunião surgiu um roteiro que eles chamaram de "Acordos de Barranquilla" e que gira em torno de três temas principais: "Reconstruir a pátria, recuperar a economia e proteger o hemisfério".

De la Espriella falou sobre a luta contra o "narcoterrorismo", afirmando que "a Colômbia quer se consolidar mais uma vez como o principal parceiro de segurança hemisférico dos EUA", e isso pelo menos na América do Sul.

O presidente colombiano apresentou a Rubio o "Plano Patriota do Século XXI", que visa modernizar aeronaves, radares, drones, helicópteros, sistemas antidrone, defesa aérea, mobilidade, inteligência, defesa cibernética e muito mais. "A Colômbia contribuirá com seus próprios recursos e esperamos construir conjuntamente capacidades para enfrentar ameaças cada vez mais sofisticadas; mas precisamos do apoio e do investimento dos Estados Unidos. E trabalharemos decisivamente na luta contra o narcotráfico", acrescentou. Além disso, enfatizou seu compromisso em inaugurar a sede da Operação Escudo das Américas em Medellín.

Da segurança à economia

Rubio enfatizou que a segurança era o tema central da conversa. "Além disso, podemos construir prosperidade, o que é extremamente importante para o progresso. E as oportunidades econômicas para a Colômbia são incríveis."

Segundo De la Espriella, em relação à recuperação econômica do país após o terremoto, a proposta é  trabalhar com Washington em "mecanismos de cooperação, investimento e financiamento ". "Estamos propondo aos EUA uma parceria na qual a Colômbia contribui com projetos, território, capacidade produtiva, recursos e regras claras, e os EUA contribuem com investimento, financiamento, tecnologia e capacidade empreendedora", afirmou.

De la Espriella afirmou que a Colômbia possui recursos naturais, uma localização geográfica estratégica, talento humano e ativos estratégicos. "Nossa diplomacia deve transformar esses pontos fortes em oportunidades para consolidar nossa posição como o melhor parceiro dos Estados Unidos, e faremos isso, Sr. Secretário. É um novo começo", declarou.

O presidente colombiano também pediu a Rubio que considerasse a possibilidade de abrir um consulado dos EUA em Barranquilla, cidade que ele chamou de "capital alternativa da Colômbia".

Avaliações

A visita do Secretário de Estado já atraiu críticas da oposição colombiana. "Nossa preocupação é que ele esteja vindo por outro motivo; que seja para selar compromissos de intervenção e subjugação da Colômbia e de sua soberania aos EUA", alertou o senador Iván Cepeda.

A senadora María Eugenia Londoño expressou sua rejeição à transformação da Colômbia em uma plataforma para os interesses militares, políticos ou econômicos de Washington e exigiu transparência em relação aos documentos assinados durante a visita.

"A Colômbia não é quintal dos EUA.  Exigimos transparência em relação aos  acordos militares, de inteligência e de cooperação que pretende assinar com Rubio após a visita anunciada", exigiu.