Namorada de ex-diretor da PF fez lobby para empresa investigada pela PF no âmbito da Compliance Zero

Renata Varandas se encontrou pelo menos quatro vezes com autoridades do governo federal na qualidade de representante da Ambipar Participações e Empreendimentos.

Renata Varandas, jornalista e namorada do ex-diretor da Polícia federal (PF), Andrei Rodrigues, que foi afastado do cargo por ordem do ministro do STF, André Mendonça, teria se encontrado pelo menos quatro vezes com autoridades do governo como representante de empresas do grupo Ambipar, que é investigada pela PF e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no âmbito da operação Compliance Zero sobre o escândalo do Banco Master. A informação foi divulgada na terça-feira (8) pelo portal Poder360.

Esta notícia chamou a atenção após a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção da PF em decisão monocrática que argumenta, segundo o magistrado, que haveria risco de interferências nas investigações, bem como que a agência estaria monitorando ilegalmente o ministro e o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão, contudo, não cita a jornalista nem seu suposto trabalho de lobby pela multinacional brasileira.

Em três das reuniões com autoridades federais, Renata Varandas é identificada como "Diretora de Relações Governamentais" da Ambipar Participações e Empreendimentos, segundo conta nos registros da Controladoria-Geral da União.

O primeiro encontro teria sido com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, em 25 de fevereiro de 2026 para tratar de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente sobre planos de emergência em caso de derramamento de petróleo em instalações portuárias e outras estruturas. O mesmo assunto teria sido tratado em uma segunda reunião com o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, em 17 de março.

Em 8 de maio, Renata se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, bem como com representantes da PowerChina para uma "apresentação institucional".

O último encontro foi em 20 de julho, quando a jornalista participou de uma audiência com o procurador-geral adjunto, Erasto Villa Verde de Carvalho Filho, no Banco Central, onde tratou de "assuntos institucionais" da Ambipar, sendo que no registro seu nome completo é citado como uma das representantes da empresa, mas sem informar um cargo específico.