A cada nova tarifa de Trump, 'nossa relação com a China cresce', diz Celso Amorim à RT

Em entrevista no programa "Conversando com Correa", da RT, o alto diplomata também foi questionado se acredita que os Estados Unidos estão interferindo nas eleições presidenciais brasileiro.

O alto diplomata brasileiro Celso Amorim, assessor-chefe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, criticou as tarifas do governo Donald Trump contra produtos brasileiros. A declaração foi feita em entrevista conduzida pelo ex-presidente do Equador Rafael Correa, apresentador do programa "Conversando com Correa", da RT.

»CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI«

"Cada vez que os Estados Unidos tomam alguma medida contra o Brasil, como tarifas, por exemplo, e isso não é uma decisão do governo: automaticamente,nossa relação com a China cresce, e também com outros países, como os da Europa. (...) Então, é o que se chama de dar um tiro no próprio pé cada vez que fazem isso. Nem sequer é preciso adotar represálias, porque eles perdem terreno. E isso é uma pena, porque os Estados Unidos também têm algo a contribuir", afirmou Amorim.

Nesse contexto, o ex-chanceler destacou que o comércio sino-brasileiro é ''três vezes maior que o comércio que temos com os Estados Unidos''.

''Tenho de confiar''

O diplomata afirmou ainda que mantém uma visão otimista sobre a capacidade de resistência às pressões externas, argumentando que Washington chegou "tão longe, que houve uma reação dentro da própria Justiça" norte-americana, em aparente alusão à decisão judicial que suspendeu, em fevereiro, parte do tarifaço de Trump.

O ex-chanceler avaliou ainda que é necessário distinguir a postura de Trump daquela de integrantes de seu governo responsáveis pelas relações com a América Latina. Em sua avaliação, o presidente estaria atualmente mais concentrado em outras questões, especialmente no Oriente Médio, onde busca desempenhar um papel de destaque nas negociações de paz, enquanto os responsáveis pela política latino-americana adotariam uma postura "muito mais retrógrada".

Questionado por Correa se Washington estaria interferindo nas eleições presidenciais brasileiras, Amorim respondeu: "Nesse caso, tenho de confiar. O presidente Trump disse que não, então prefiro confiar no presidente Trump". Correa reagiu com ironia, afirmando tratar-se da "resposta de um diplomata de carreira".

»ASSISTA À CONVERSA COMPLETA ENTRE CORREA E AMORIM CLICANDO AQUI«