A decisão desta terça-feira (8) de André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF), amplia a interferência da Suprema Corte sobre a cúpula da corporação.
O movimento, no entanto, tem como precedente direto uma medida do ministro da Corte, Alexandre de Moraes, tomada em 2020, quando impediu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da PF, após denúncias de Sergio Moro, ex-ministro da Justiça do então presidente Jair Bolsonaro, sobre uma suposta tentativa de interferência política na corporação.
A decisão de Moraes alegou desvio de finalidade e possível violação aos princípios da impessoalidade, moralidade e interesse público, com base em declarações de Bolsonaro e mensagens apresentadas por Moro.
STF cada vez mais interventor
Agora, um membro da Suprema Corte foi além: afastou do cargo um diretor-geral que já estava em exercício.
A medida estabelece, assim, um novo patamar de intervenção judicial sobre a cúpula da PF, órgão exclusivamente submetido a decisões do poder executivo.
O ministro também afastou o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, e suspendeu parte da produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.