De culpar Madri a pedir união: ministros da UE mudam tom sobre a crise de Ceuta

Em declaração conjunta, os ministros europeus elogiaram a resposta de Madri, afirmaram que o Espaço Schengen — a zona sem controle de passaportes entre os Estados-membros — não estava em risco e acusaram traficantes e atores externos de usarem a crise para dividir o bloco.

Os ministros do Interior da União Europeia passaram de culpar a Espanha pela crise de Ceuta a se posicionarem ao lado de Madri e pedirem o fim de incidentes como esse, segundo reportagem do Politico.

Na semana passada, em uma reunião de emergência de três horas em Bruxelas, eles puseram fim a cinco dias de acusações mútuas após a chegada de 72 mil migrantes ao enclave espanhol no norte da África.

« POR QUE CEUTA PERTENCE À ESPANHA, MAS ESTÁ LOCALIZADA NA ÁFRICA? »

Em declaração conjunta, elogiaram a resposta de Madri, afirmaram que o Espaço Schengen — a zona sem controle de passaportes entre os Estados-membros — não estava em risco e acusaram traficantes e atores externos de usarem a crise para dividir o bloco.

Uma crise ainda sem solução

A crise migratória eclodiu no fim de julho, quando mais de 70 mil migrantes em situação irregular atravessaram a fronteira do Marrocos para Ceuta em apenas três dias.

A cidade autônoma, que tem cerca de 84 mil habitantes, ficou sobrecarregada diante da magnitude do fluxo migratório.

Embora as autoridades espanholas e da União Europeia tenham afirmado que quase todos os migrantes que entraram irregularmente em Ceuta retornaram ao Marrocos poucos dias depois, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que cerca de 5 mil ainda permanecem na cidade.

O governo prevê transferir, nas próximas semanas, cerca de 1,2 mil menores desacompanhados para centros de acolhimento na península, enquanto quase todos os demais migrantes poderão ser deportados.

Na segunda-feira (31), Sánchez relacionou a chegada em massa de migrantes a redes de tráfico de pessoas e a campanhas de desinformação na internet, incluindo algumas que atribuiu a Israel.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, negou as acusações e acusou o chefe do governo espanhol de "mentir descaradamente".

Por sua vez, milhares de pessoas saíram às ruas de Madri, Barcelona, Valência e Bilbao, entre outras cidades espanholas, nesta quarta-feira (2), para se manifestar em apoio a Ceuta e contra a falta de medidas por parte do governo espanhol.