
Resultado histórico nas eleições regionais abala cenário político alemão

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as importantes eleições regionais realizadas neste domingo (6) no estado da Saxônia-Anhalt, de acordo com as projeções baseadas nas pesquisas de boca de urna, informa o Die Zeit.

A AfD alcançou um resultado recorde de 44%. "Este é um resultado histórico", declarou a líder do partido, Alice Weidel. "Estamos arrasando aqui, vamos arrasar em toda a Alemanha Oriental e também em nível federal", afirmou. Segundo suas estimativas, a AfD poderia chegar a 40% dos votos em âmbito nacional.
"E vamos conseguir isso em muito pouco tempo, porque cada vez mais pessoas confiam em nós, porque querem uma mudança política e porque, simplesmente, não querem mais que tirem sarro delas", declarou Weidel, ressaltando que "a CDU continuará perdendo terreno".
SACHSEN-ANHALT | Hochrechnung Landtagswahl Infratest dimap/ARD, 21:08 Uhr
— Deutschland Wählt (@Wahlen_DE) September 6, 2026
AfD: 44,0% (+23,2)
CDU: 17,8% (-19,3)
SPD: 9,1% (+0,7)
LINKE: 8,8% (-2,2)
GRÜNE: 8,7% (+2,8)
BSW: 5,1% (NEU)
FDP: 2,4% (-4,0)
Sonstige: 4,1% (-6,3)
Änderungen zum Wahlergebnis von 2021#ltwst#ltwlsapic.twitter.com/QMXGoLB40e
A União Democrata-Cristã (CDU), liderada pelo ministro-presidente da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, sofreu uma forte queda e ficou em segundo lugar, com apenas 17% dos votos. O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) aparece como a terceira legenda mais votada, com 9%.
Cerca de 1,7 milhão de eleitores estavam aptos a votar em um dos 15 partidos presentes nas cédulas. Aproximadamente 22 mil funcionários eleitorais trabalharam no pleito.
Por que essas eleições eram tão importantes?
Embora o estado abrigue apenas cerca de 3% da população alemã, poucas eleições regionais haviam despertado tanta expectativa.
A imprensa local tratou a votação como uma espécie de teste para as mudanças políticas que podem ocorrer em breve em todo o país. Se a AfD conseguir consolidar sua liderança, a Alemanha poderá se deparar, pela primeira vez, com uma situação em que um partido considerado "indesejável" pelas forças políticas tradicionais tenha uma possibilidade real de chegar ao poder executivo em um dos estados federados.
O objetivo da AfD é governar sozinha. Embora não precise de maioria absoluta dos votos para isso, a legenda precisa conquistar a maioria absoluta dos assentos no parlamento regional. A possibilidade de alcançar esse objetivo também depende do número de partidos que conseguirem representação na casa.
No cenário atual, a AfD aparece com 39 cadeiras em um parlamento no qual a maioria absoluta é de 42, ficando, portanto, abaixo do número necessário para governar sozinha, segundo a imprensa local.
SACHSEN-ANHALT | Hochrechnung Landtagswahl Infratest dimap/ARD, 21:08 Uhr
— Deutschland Wählt (@Wahlen_DE) September 6, 2026
Sitzverteilung
AfD: 39 (+16)
CDU: 16 (-24)
LINKE: 8 (-4)
SPD: 8 (-1)
GRÜNE: 8 (+2)
BSW: 4 (NEU)
FDP: 0 (-7)
Änderungen zum Wahlergebnis von 2021#ltwst#ltwlsapic.twitter.com/4NSemMo2nu
Weidel: "Estamos sempre dispostos a dialogar"
Enquanto isso, Weidel afirmou que "o partido mais votado sempre tem o mandato para formar um governo". Ela indicou que Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD na Saxônia-Anhalt, sempre afirmou que estaria disposto a "iniciar conversas".
"Estamos sempre dispostos a dialogar para promover boas políticas em benefício de uma Alemanha melhor e, sobretudo, de uma Saxônia-Anhalt melhor. Resta saber como isso finalmente será concretizado: talvez por meio de um acordo de tolerância ou de uma coalizão", acrescentou.
No entanto, esse cenário pode representar um desafio ainda maior para a coalizão governista. Como observa o Die Zeit, uma vitória da AfD sem maioria absoluta poderia obrigar a CDU e os social-democratas a considerar uma coalizão com o partido A Esquerda.
As eleições na Saxônia-Anhalt foram apenas o ponto de partida de uma intensa campanha eleitoral que continuará com os pleitos em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em 20 de setembro.
Os resultados podem indicar uma tendência com consequências importantes tanto para a coalizão governista quanto para o chanceler Friedrich Merz.

