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Vulcão adormecido há quase 500 anos desperta após terremoto na Rússia, aponta estudo

Cientistas afirmam que ondas sísmicas podem desestabilizar reservatórios de magma e desencadear erupções em estruturas aparentemente inativas.
Vulcão adormecido há quase 500 anos desperta após terremoto na Rússia, aponta estudoImagem de satélite do vulcão Krasheninnikov

Um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicado nesta segunda-feira (2), revelou que muitos vulcões que parecem adormecidos estão, na verdade, "à beira da erupção" internamente, e que perturbações sísmicas podem ser o empurrão final que desencadeia uma erupção.

Em julho de 2025, um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a costa da Península de Kamchatka, na Rússia. O tremor, um dos mais poderosos já registrados em uma das áreas vulcanicamente mais ativas da Terra, desencadeou uma série de erupções na região.

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No entanto, foi a reativação do vulcão Krasheninnikov, dias após o terremoto, que surpreendeu a comunidade científica, que considerava esse colosso em estado de profunda dormência há cerca de 500 anos.

Efeito de bolha

"O tremor sísmico prolongado provavelmente promoveu a exsolução [separação de componentes numa solução sólida] de voláteis ao longo do tempo, o crescimento de bolhas e a eventual desestabilização do reservatório em um sistema que já era mecanicamente suscetível a falhas", afirmam os pesquisadores.

Esse fenômeno, explicam os cientistas, ocorre principalmente em áreas onde a crosta terrestre se estende e o magma acumula grandes quantidades de gás, como é o caso de Kamchatka, tornando-as vulneráveis ​​a terremotos poderosos e/ou frequentes.

Além disso, eles apontam que o magma pode acumular bolhas no reservatório (a área abaixo da superfície da Terra onde rocha derretida, gases e fluidos se acumulam em altas temperaturas antes de uma erupção). Portanto, um terremoto pode fazer com que mais gás se difunda nessas bolhas, fazendo-as crescer.

Ao mesmo tempo, esse processo pode promover a formação de novas bolhas, aumentando a pressão dentro do vulcão. Finalmente, de acordo com os pesquisadores, o reservatório pode se tornar instável, forçando o magma a entrar em erupção, como aconteceu com o Krasheninnikov.

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