O assessor do presidente russo, Yuri Ushakov, detalhou neste sábado (5) a visita dos enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner, que chegaram a Moscou para discutir uma possível solução para o conflito na Ucrânia.
Assim, o alto funcionário, que também participou do encontro, declarou o seguinte:
- A conversa durou mais de três horas e foi "significativa, construtiva, extremamente franca e confidencial". Ele acrescentou que o encontro prosseguiu tanto na sala de reuniões quanto em momentos de conversas informais.
- Ushakov afirmou que a delegação russa apresentou avaliações claras e abrangentes sobre a situação no âmbito da operação militar especial, destacando "os importantes avanços do Exército russo na zona de combate".
- "Foi expressa confiança no cumprimento dos objetivos estabelecidos e, naturalmente, enfatizada a necessidade de abordar todas as causas profundas do conflito", acrescentou.
- O assessor também afirmou que o presidente russo reafirmou seu compromisso de manter a cooperação com os Estados Unidos nos campos político, diplomático e de inteligência.
- Por sua vez, os enviados de Washington "se comprometeram a utilizar, em seus contatos em Kiev no domingo (6), as observações e avaliações que receberam pessoalmente do presidente russo" sobre o caminho para uma solução pacífica e duradoura para o conflito na Ucrânia, afirmou Ushakov.
- Witkoff e Kushner registraram um ponto ao qual o presidente russo deu especial atenção durante o encontro. Trata-se do fato de que "o regime de Kiev já deixou de esconder sua verdadeira natureza", ao promover novo sepultamento e homenagear alguns dos principais criminosos nazistas.
- As conversas não se limitaram a uma troca de opiniões sobre a resolução da crise ucraniana. "Foram discutidas em detalhes questões econômicas e possíveis projetos de grande envergadura entre Rússia e Estados Unidos, de benefício mútuo".
- As negociações foram "oportunas e muito benéficas para ambas as partes". Foi confirmado que os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos continuarão mantendo contatos pessoais e que o trabalho realizado por Witkoff e Kushner terá continuidade.
"Uma paz duradoura e absoluta"
Anteriormente, Vladímir Putin destacou, em uma coletiva de imprensa após a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, que o objetivo de Moscou não é "congelar" o conflito com Kiev, mas alcançar uma "paz duradoura e absoluta" na Ucrânia e na Europa.
O presidente russo reiterou sua disposição para o diálogo e revelou que há contatos em andamento com os Estados Unidos, inclusive em nível de inteligência, além de afirmar que Moscou está totalmente aberta a negociar com os enviados de Donald Trump. Por fim, Putin abordou os motivos pelos quais a Rússia não direciona seus ataques de resposta contra a cúpula militar e política da Ucrânia.
Na última conversa telefônica entre Putin e Trump, realizada em julho, o presidente dos EUA "voltou a confirmar sua disposição de contribuir para o fim das hostilidades o mais rápido possível e para a busca de soluções pacíficas para superar a crise", afirmou Ushakov na ocasião.
"Seus enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, continuarão os esforços de mediação e estarão dispostos a viajar a Moscou em um momento conveniente", detalhou.