A cúpula espacial internacional convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron não está ocorrendo conforme o planejado, segundo informaram seis fontes anônimas ao Politico nesta sexta-feira (4). O evento tem como objetivo reunir cerca de 120 delegações internacionais.
O fórum foi marcado por inúmeros contratempos, principalmente a desistência de última hora das gigantes aeroespaciais americanas SpaceX e Blue Origin, por pressão do governo Trump. Isso foi agravado por críticas internas sobre a preocupante falta de coordenação, objetivos vagos e atrasos sistemáticos no envio dos convites.
Os participantes descreveram a cúpula ao Politico como mal coordenada, com objetivos pouco claros e logística deficiente. A lista de convidados excluiu figuras-chave, segundo críticos. A assessora de Macron responsável pela cúpula, Claire Vernet-Garnier, renunciou um mês antes do evento.
Um funcionário observou que a reunião servirá apenas para o Palácio do Eliseu tentar retratar a França como um ator relevante no espaço, "mesmo que seus recursos e estratégia não estejam progredindo no mesmo ritmo", permitindo apenas pequenas manobras geopolíticas sem abordar os reais problemas de financiamento e capacidade da Europa.
Pressão do governo Trump
Os cancelamentos, motivados pela pressão do governo Trump, ocorrem em meio a profundos atritos bilaterais sobre a política espacial. O governo americano mantém uma campanha de pressão contra a futura Lei Espacial da União Europeia, que considera uma tentativa de impor regras europeias às suas empresas. Ao mesmo tempo, a iniciativa franco-alemã de alocar mais frequências de satélite móvel para operadoras europeias irritou os Estados Unidos, pois entra em conflito com os interesses de seus próprios provedores de conectividade.
Um executivo sênior de uma empresa de satélites, falando anonimamente, afirmou que a tentativa europeia de regulamentar o acesso à órbita e ao espectro entra em conflito com a estratégia de domínio da SpaceX. "Não é surpreendente que a Europa queira se concentrar nisso, e não é surpreendente que os EUA estejam respondendo com um boicote", acrescentou.