Imprensa revela nome que Lula cogita indicar ao STF

Perfil técnico e avaliação positiva de gestão pesam na análise do presidente para a nova indicação ao Supremo, após Senado rejeitar Jorge Messias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada pelo portal Poder360 nesta sexta-feira (4).

Lula construiu uma boa relação com Couto nos últimos meses e fez elogios públicos ao governador. Entre os fatores considerados para uma eventual indicação estão o perfil técnico e a avaliação positiva da administração fluminense.

Couto também não está associado aos escândalos de corrupção que envolveram ex-governadores recentes do Estado. Outro diferencial é não ter mantido anteriormente uma relação pessoal com Lula, ao contrário de nomes indicados pelo presidente, como Flávio Dino, Cristiano Zanin e Jorge Messias.

Rejeição de Messias

A possível indicação de Couto é considerada uma forma de reduzir a resistência no Senado após a rejeição de Jorge Messias ao STF, em 29 de abril. O advogado-geral da União recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, quando precisava de 41 votos a favor.

Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo. Lula chegou a cogitar apresentar novamente o nome de Messias e argumentou que a escolha é uma prerrogativa do presidente.

Uma nova indicação de Messias, no entanto, tensionaria o ambiente com o Senado e com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Caso Banco Master

Na quinta-feira (3), Lula gravou um vídeo sobre o caso envolvendo o Banco Master e defendeu investigações "doa a quem doer". O presidente não citou nomes.

Nos últimos dias, a equipe de campanha de Lula buscava ajustar o discurso sobre a crise envolvendo o STF e as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Pesquisas qualitativas foram realizadas para definir um tom considerado adequado.

Nesta sexta-feira (4), Lula afirmou que "ninguém, em nome da democracia, pode usar o cargo que tem em benefício pessoal. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites". A declaração foi dada durante cerimônia de sanção dos projetos de lei 1.881 de 2025 e 429 de 2024, que criam fundos especiais para a Justiça Federal e o Ministério Público Federal gastarem acima do teto.