
'Pais de pet': o que a ciência sabe sobre quem trata cão como filho?

Uma revisão publicada no Journal of Veterinary Behavior analisou 15 estudos sobre o chamado "pet parenting", prática de tratar animais de estimação, principalmente cães, como se fossem filhos.

De acordo com os pesquisadores Mita Barina-Silvestri, Marcos Díaz-Videla e Rafael Delgado-Rodríguez, a tendência acompanha uma mudança na forma como os animais de companhia são vistos nas últimas décadas.
O estudo constatou que muitos tutores se referem a si mesmos como "pai" ou "mãe" dos cães, sobretudo ao conversar com pessoas próximas.
O uso desses termos varia de acordo com a cultura, o grau de intimidade com o interlocutor e a presença ou não de filhos na família.
A pesquisa também apontou que pessoas sem filhos tendem a demonstrar maior apego aos cães e a investir mais recursos emocionais e financeiros neles do que quem tem filhos.
Perfis psicológicos
Os pesquisadores também analisaram a relação entre tutores e cães a partir de três estilos parentais estudados na psicologia humana: autoritativo, autoritário e permissivo.
Tutores com perfil autoritativo, que combinam disciplina com atenção às necessidades do animal e utilizam elogios e métodos graduais de treinamento, tendem a favorecer o bem-estar dos cães.
Enquanto que os autoritários recorrem com mais frequência a métodos corretivos, como gritos e coleiras de correção.
Já tutores com estilo permissivo combinam alta responsividade e calor emocional com baixa exigência e poucas regras de comportamento.
Segundo os autores, o "pet parenting" é mais comum em sociedades urbanizadas, onde as taxas de fertilidade são menores e há maior aceitação de estilos de vida sem filhos.
Essas mudanças estão associadas à chamada segunda transição demográfica.
