'Não permitiremos': Milei acusa Reino Unido de apropriação de recursos nas Ilhas Malvinas

O presidente lembrou que os dois países têm compromissos perante a ONU de não tomarem "ações unilaterais até que a disputa seja resolvida".

O presidente argentino, Javier Milei, afirmou na sexta-feira (4) que seu governo não permitirá o que chama de apropriação ilegal do território e dos recursos que circundam o arquipélago das Ilhas Malvinas, cuja soberania é disputada entre seu país e o Reino Unido.

"Nossa causa exige uma resposta. Não permitiremos isso. A Argentina não ficará de braços cruzados. [...] Utilizaremos todos os instrumentos do Estado — diplomáticos, econômicos, judiciais e legais — para deter atores estatais e não estatais que violem nossa soberania", declarou o presidente argentino em pronunciamento televisionado.

Milei se referia à intenção dos britânicos de extrair petróleo em alto-mar próximo às ilhas apesar dos compromissos assumidos por ambos os países perante as Nações Unidas de não explorar quaisquer recursos naturais na área disputada enquanto a controvérsia territorial não for resolvida.

"O que isso significa? Que se não falarmos com firmeza e calma hoje, em poucos meses eles terão a capacidade material de se apoderar das reservas de petróleo sob o nosso mar, [...]. Se permitirmos, estaremos criando o incentivo para que o governo britânico aprofunde sua ocupação das ilhas e a exploração de nossos recursos", destacou.

Ameaças e ações

Milei afirmou que seu governo descobriu que o projeto 'Sea Lion', operado pela Navitas Petroleum e Rockhopper Exploration, planeja iniciar a produção de petróleo em alto-mar nos próximos meses. Mas este não seria o único, já que outras iniciativas que ele descreveu como "uma ameaça aos interesses estratégicos da Argentina" também estão em andamento.

Para conter essas tentativas, ele anunciou que "o Ministério das Relações Exteriores da Argentina já enviou aproximadamente 180 notas de repúdio a empresas e aos 29 países envolvidos em diversos projetos" no arquipélago.

Milei acrescentou ainda que assinou um decreto "para agilizar os procedimentos sancionatórios impostos pela Lei 26.659 contra aqueles que participam de iniciativas de extração de petróleo em território sob ocupação britânica".

Além disso, o governo argentino fortalecerá os "mecanismos de detecção precoce e compartilhamento de informações para facilitar a aplicação de sanções contra aqueles que realizam essas atividades, bem como contra seus acionistas, diretores e fornecedores", que serão proibidos de operar em território argentino.

"Aqueles que operam em nossas ilhas às escondidas terão que escolher entre uma aposta ilegal em território disputado e uma operação lucrativa e segura em um país soberano com previsibilidade", alertou.

Nova Base Naval

Além das medidas diplomáticas, políticas e econômicas, Milei acrescentou ações concretas na área da defesa. Para tanto, anunciou a assinatura de um decreto de urgência — um procedimento acelerado para legislar e implementar ações governamentais sem debate parlamentar — com o objetivo de obter recursos para a construção de uma nova base naval próxima à área disputada.

"Assinaremos um decreto de urgência para aumentar os recursos do Ministério da Defesa a fim de construir uma base naval integrada na Terra do Fogo e aprimorar nossas capacidades de telecomunicações. Essa base nos tornará o mais importante centro logístico do Atlântico Sul e será fundamental para a projeção geopolítica da Argentina", afirmou.