Notícias

Agente do ICE é acusado de mentir sobre tiro em imigrante venezuelano

Christian Castro é o primeiro agente federal de imigração denunciado pelo Departamento de Justiça por conduta ligada à Operação Metro Surge.
Agente do ICE é acusado de mentir sobre tiro em imigrante venezuelanoGettyimages.ru

Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) foi acusado pela Justiça federal de prestar declarações falsas sobre o disparo que atingiu a perna de um migrante venezuelano no início deste ano. A informação foi publicada pela CNN nesta quinta-feira (3).

Christian Castro é o primeiro agente federal de imigração a ser denunciado pelo Departamento de Justiça por sua atuação durante a Operação Metro Surge, realizada em Minnesota. Segundo uma fonte ouvida pela emissora, também é avaliada a inclusão de acusações por violação dos direitos civis da vítima.

Castro já havia sido acusado pela Promotoria de Minnesota por agressão agravada e apresentar um relatório falso. Ele chegou a ser levado para uma prisão no Texas, mas foi libertado depois que o governador Greg Abbott se recusou a extraditá-lo para Minnesota.

Versão contestada

Inicialmente, promotores federais acusaram Julio César Sosa-Celis, venezuelano de 24 anos baleado por Castro, e mais outra pessoa de agredirem um agente do ICE com uma pá de neve e um cabo de vassoura.

As acusações foram posteriormente retiradas após imagens de câmeras de segurança e outros materiais contradizerem a versão apresentada por Castro. O agente havia afirmado que disparou depois de ser atacado e que agiu em legítima defesa.

Castro e outro agente do ICE foram colocados em licença administrativa. Promotores federais também disseram ao juiz responsável pelo caso de Sosa-Celis que agentes do órgão haviam feito "declarações falsas" sob juramento, o que levou o diretor do ICE, Todd Lyons, a anunciar uma investigação do Departamento de Justiça.

Tiro em Minneapolis

Segundo a versão apresentada pelos promotores, o episódio começou quando agentes do ICE tentaram parar uma caminhonete registrada em nome de Joffre Barrera, identificado um como migrante sem documentos. O veículo era dirigido por Alfredo Alejandro Aljorna, primo de Sosa-Celis.

Aljorna correu e foi derrubado por um agente quando se aproximava do apartamento de Sosa-Celis, mas conseguiu entrar no imóvel. Segundo a vítima, o disparo ocorreu quando os dois já estavam dentro da residência.

"Fechei a porta e, enquanto a estava trancando, ouvi o disparo e foi então que percebi que tinham atirado na minha perna", afirmou Sosa-Celis à CNN.

A Promotoria de Minnesota apoia essa reconstrução, e a defesa do venezuelano busca acrescentar acusações por violação de direitos civis contra Castro.

"O senhor Castro foi formalmente acusado de fazer declarações falsas. No entanto, ele as fez para encobrir o fato de que atirou contra meu cliente através da porta de uma residência ocupada, sem que houvesse justificativa de legítima defesa", afirmou à CNN a advogada Robin M. Wolpert.

Segundo Wolpert, "as provas sustentam fortemente a apresentação de acusações por violação dos direitos civis", mas as acusações federais atuais não refletem, na avaliação dela, a gravidade do caso.