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Copa do Mundo nos EUA pode expor visitantes a abuso policial, alertam organizações

Mais de 120 associações civis advertiram que tanto os moradores das cidades-sede quanto os visitantes, jornalistas e jogadores podem ser vítimas de abusos de autoridade.
Copa do Mundo nos EUA pode expor visitantes a abuso policial, alertam organizaçõesGettyimages.ru / Megan Briggs

As pessoas que decidirem viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026 podem ser vítimas de "violações graves" dos direitos humanos por parte das autoridades policiais americanas. O alerta foi feito na quinta-feira (23) por mais de 120 organizações da sociedade civil dos EUA.

Por meio de um comunicado divulgado pela União dos Americanos Pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), as organizações emitiram um alerta de viagem para os EUA para que os estrangeiros que forem assistir à Copa do Mundo saibam o quanto "deteriorou a situação dos direitos humanos dos EUA" com a política migratória do governo Trump.

Os grupos advertem que, diante dos precedentes públicos e notórios sobre a atuação da Polícia de Imigração dos EUA (ICE, em sua sigla em inglês), tanto os residentes das cidades-sede quanto os torcedores, jogadores, jornalistas e outros visitantes que participarem do evento organizado pela FIFA podem ser vítimas de ataques e da suspensão de seus direitos fundamentais.

No alerta, os grupos apontam que diante da "ausência de uma ação significativa da FIFA" para lidar com a situação mencionada, os viajantes estrangeiros e os residentes das cidades-sede "podem estar em risco" de:

  • Negação arbitrária de entrada e risco de prisão, detenção e/ou deportação.
  • Restrições e limitações ampliadas de viagem e de entrada nos EUA.
  • Vigilância invasiva das redes sociais e registros dos dispositivos eletrônicos.
  • Aplicação violenta e inconstitucional da Lei de Imigração, incluindo discriminação racial.
  • Repressão da liberdade de expressão e protesto, além de maior vigilância.
  • Tratamento cruel, desumano ou degradante — incluindo a morte — enquanto estiverem sob a custódia do ICE.

O aviso também incentiva turistas e "milhares de jornalistas" que farão a cobertura do evento "a tomarem medidas para se protegerem, como proteger os dispositivos eletrônicos", desativar os recursos de reconhecimento facial, informar familiares, amigos ou colegas de confiança sobre seus planos de viagem dentro dos EUA e instruir-se sobre seus direitos diante de situações de risco com as autoridades.

Copa do Mundo poderia legitimar a repressão

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho no México, Canadá e EUA, poderá atrair até 10 milhões de visitantes para 11 cidades americanas, o que poderia torná-la a maior competição da história desse país, ressaltam as organizações civis.

Por isso, lembram que em fevereiro de 2026, poucos dias depois de os agentes do ICE dispararem e matarem Nicole Good em Minneapolis, a Polícia Migratória disse que os agentes desempenhariam um "papel fundamental" na segurança do torneio. Isso, acrescentam os ativistas, "levanta preocupações sobre a possível violência do ICE" e o aumento de suas atividades nas cidades-sede:

  • Nova York: MetLife Stadium - Sede da final.
  • Los Angeles: SoFi Stadium.
  • Dallas: AT&T Stadium.
  • San Francisco: Levi's Stadium.
  • Miami: Hard Rock Stadium.
  • Atlanta: Mercedes-Benz Stadium.
  • Seattle: Lumen Field.
  • Filadélfia: Lincoln Financial Field.
  • Houston: NRG Stadium.
  • Boston: Gillette Stadium.
  • Kansas City: GEHA Field at Arrowhead Stadium.

"Em vez de aproveitar sua influência internacional para pressionar pela proteção dos direitos humanos em meio à escalada de medidas migratórias rigorosas, a FIFA, órgão regulador do futebol internacional, optou por permanecer em silêncio enquanto seu presidente, Gianni Infantino, se alinhou mais estreitamente com o governo Trump", denuncia a ACLU em seu apelo para que a FIFA zele pelo respeito aos direitos humanos na Copa do Mundo.

Além disso, o comunicado assinala que "se a FIFA não tomar providências, inúmeras pessoas — especialmente os não cidadãos americanos que viajam ou vivem nos EUA — correm o risco de serem atacadas, detidas e deportadas ilegalmente sem o devido processo legal. A Copa do Mundo de 2026 também corre o risco de se tornar uma plataforma que legitima a repressão em vez de promover a unidade global".