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Rússia busca parceria com o Brasil para ampliar presença tecnológica na América Latina

Relatório aponta mercado brasileiro como oportunidade para empresas russas e defende parcerias em inteligência artificial, cibersegurança, fintech e mais.
Rússia busca parceria com o Brasil para ampliar presença tecnológica na América LatinaImagem gerada por IA

A Rússia vê o Brasil como uma plataforma para ampliar sua presença no mercado tecnológico da América Latina. Essa estratégia foi discutida na terça-feira (1º), em uma mesa-redonda organizada pelo Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (RIAC) e pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Rússia.

Segundo dados apresentados no evento e divulgados nesta quinta-feira (3), o mercado brasileiro de tecnologia movimenta US$ 58,7 bilhões, o equivalente a 35% do mercado latino-americano.

O país reúne mais de 18 mil startups e 18 unicórnios (startups que atingem valor de mercado de US$ 1 bilhão antes de abrir seu capital), além de um plano nacional de inteligência artificial que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.

A proposta apresentada no encontro é ir além da simples venda de produtos russos. Alexey Glagolev, diretor de desenvolvimento de negócios na Telma Studio LLC, defendeu que a pergunta deve deixar de ser "quais tecnologias russas podemos vender no Brasil?" e passar a ser "quais tecnologias podemos adaptar e desenvolver juntos?".

Eixos de cooperação

O relatório identifica seis áreas prioritárias para a cooperação: cibersegurança e antifraude, inteligência artificial industrial, legaltech e regtech, tecnologia governamental e cidades inteligentes, fintech e insurtech baseadas em IA e engenharia de dados.

Para Gustavo Pessoa, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), a maior oportunidade está em soluções especializadas. Entre elas estão IA para diagnóstico industrial, análise de dados para o agronegócio e modelos de inteligência artificial em português.

"Um ou dois projetos com clientes reais valem mais do que vinte memorandos de entendimento", afirmou.

O estudo também aponta uma via de mão dupla construída em conjunto. Empresas russas poderiam ampliar o acesso à América Latina, enquanto companhias brasileiras ganhariam acesso aos mercados da Eurásia. A estratégia envolveria parceiros locais, adaptação dos produtos à legislação e aos dados brasileiros e projetos-piloto antes da expansão comercial.