Notícias

Tarcísio e Bolsonaro são citados por Vorcaro em suposto esquema de propina — UOL

Vorcaro afirma que as contrapartidas propostas em troca do financiamento de campanhas políticas foram realizadas e que o Credcesta permaneceu em operação no governo Tarcísio por mais de um ano.
Tarcísio e Bolsonaro são citados por Vorcaro em suposto esquema de propina — UOLBruno Escolastico Sousa Silva/NurPhoto/Ton Molina/Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões doados em 2022 às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) tiveram origem em um acordo de propina. O objetivo seria garantir a continuidade do Credcesta, um cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, no governo de São Paulo, de acordo com reportagem do portal Uol desta quinta-feira (3).

Segundo o relato, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro. As doações foram feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, a pedido de Augusto Lima, executivo ligado ao Banco Master. Vorcaro afirma que Zettel não conhecia a suposta motivação das transferências.

Ainda segundo a proposta, o acordo atribuído a Gilberto Kassab previa o repasse de 5% do resultado líquido do Credcesta em São Paulo, além de cerca de R$ 10 milhões em dinheiro vivo para campanhas ligadas ao PSD. O Credcesta era um dos principais negócios do Banco Master.

Contrapartida feita

Vorcaro afirma que as contrapartidas foram realizadas e que o Credcesta permaneceu em operação no governo Tarcísio por mais de um ano. Em dezembro de 2024, o governador ampliou o mercado de crédito consignado para outras instituições. O credenciamento da PKL, operadora do produto, foi suspenso apenas em fevereiro deste ano após o escândalo envolvendo o Banco Master.

Tarcísio afirmou que "nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado". Kassab classificou o relato como "absolutamente fantasioso" e disse não ter tratado de doações com Vorcaro ou Augusto Lima. Lima não quis comentar.