Vorcaro diz a Mendonça que pretende delatar integrantes do governo Lula — Estadão

Banqueiro citou suposta relação com chefe da PF, mas não apresentou provas; Andrei Rodrigues nega vínculo.

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pretende delatar integrantes do "atual governo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mencionar uma suposta relação com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei RodriguesA informação foi publicada pelo portal Estadão nesta quarta-feira (2).

Vorcaro disse que Rodrigues teria viajado com ele para eventos antes das investigações da Operação Compliance Zero. O banqueiro, porém, não apresentou provas, não detalhou as viagens nem informou se elas teriam sido pagas pelo Banco Master.

Procurado, Rodrigues afirmou que não tinha relação com o dono do Banco Master. Investigadores ouvidos pelo Estadão veem o depoimento com desconfiança e avaliam que Vorcaro tenta tumultuar a apuração e forçar a retomada das negociações de uma delação premiada.

A defesa do banqueiro pediu a audiência com a equipe de Mendonça sob o argumento de que Vorcaro estaria sofrendo ameaças da PF para não fazer a colaboração. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram duas propostas anteriores por entenderem que ele omitiu informações e não apresentou provas novas.

Tentativa de delação

Vorcaro afirmou ao gabinete de Mendonça que sua colaboração não avançou porque policiais federais buscariam evitar menções a Rodrigues. Segundo ele, as pessoas que pretendia citar pertencem ao "núcleo do atual governo".

"Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei", afirmou Vorcaro. Ele disse ainda que pretende relatar casos em que, segundo sua avaliação, teriam sido ultrapassadas "linhas de moralidade" e "linhas de ilicitude".

Questionado especificamente sobre Rodrigues, Vorcaro afirmou que o diretor-geral da PF "viajou para eventos comigo" e que os dois mantinham uma relação anterior às investigações. Nenhum detalhe ou prova dessa afirmação foi apresentado no depoimento.

O banqueiro também reclamou que os delegados responsáveis por negociar a colaboração não demonstraram interesse na proposta. Os investigadores, por outro lado, consideraram que as provas apresentadas não eram inéditas e que Vorcaro havia sido seletivo nas informações oferecidas.