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Itamaraty aposta em organização chinesa para reduzir dependência tecnológica

Estratégia prevê diversificar fornecedores e ampliar capacidade tecnológica nacional, incluindo áreas como Inteligência Artificial.
Itamaraty aposta em organização chinesa para reduzir dependência tecnológica

O Itamaraty afirmou, nesta quarta-feira (2), que a integração do Brasil à Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), com sede em Pequim, faz parte da estratégia de soberania digital do país, e não representa alinhamento político com a China. A informação foi publicada pelo portal Poder360.

Segundo o embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, o objetivo é diversificar parceiros e fornecedores, reduzir dependências e vulnerabilidades e ampliar a autonomia tecnológica brasileira.

"O alinhamento [à China] não foi, não é e não será o objetivo brasileiro ao aderir ao Waico", afirmou Garcia durante participação em webinar do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

A estratégia prevê acelerar o acesso a tecnologias de ponta sem criar dependência de um único país ou fornecedor. Segundo o diplomata, o modelo pode envolver compra de tecnologia estrangeira, produção de parte dos componentes no Brasil ou aumento progressivo da participação nacional.

Cooperação tecnológica

Garcia citou como exemplo o projeto de supercomputadores do governo. Um dos equipamentos deverá ser instalado no Rio de Janeiro, com participação chinesa, enquanto outro ficará em Natal (RN) e deverá utilizar GPUs da Nvidia, embora o edital permita livre concorrência entre fornecedores.

O edital também exige contrapartidas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira, como transferência de tecnologia, formação de profissionais e estímulo à indústria nacional. Entre as exigências estão a formação de 3.000 especialistas em três anos e um plano para ampliar a capacidade produtiva do país.

A Waico foi fundada em julho de 2026 pelo presidente da China, Xi Jinping. O Brasil é um dos 30 Estados-membros da organização, ao lado de países como Rússia e África do Sul.

Entre os objetivos da integração está o compartilhamento de modelos abertos de inteligência artificial. O governo chinês afirma que pretende disponibilizar a tecnologia a países menos avançados em infraestrutura e arquiteturas de IA, enquanto Pequim busca reforçar sua liderança na área, principalmente entre países do chamado Sul Global.