
Parceria com China leva mais de mil trabalhadores por mês ao Brasil — Folha de S. Paulo

O Brasil atualmente se consolida como principal destino dos investimentos chineses, acompanhado por um fluxo expressivo de trabalhadores do país asiático. Desde junho de 2025, a média ultrapassa mil autorizações mensais de vistos de trabalho para cidadãos chineses, segundo levantamento da Folha de S. Paulo, a partir de dados compilados do Ministério da Justiça.

No primeiro trimestre deste ano, as concessões para profissionais da China chegaram a 3.193 registros, equivalentes a 38% do total de vistos de trabalho emitidos para estrangeiros. O número avançou de 270 autorizações mensais em 2023 para 625 em 2024 e 844 em 2025.
A Bahia emerge como epicentro dessa movimentação, concentrando 55% dos trabalhadores nos três primeiros meses do ano. São Paulo figura como segundo estado em número de registros, abrigando escritórios e a fábrica da GWM, onde 9% dos 1.800 funcionários são chineses.
A BYD, instalada na cidade baiana de Camaçari, responde por aproximadamente um terço dos registros, com 2.700 funcionários chineses obtendo visto desde o início de 2025.
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A rotatividade é elevada, com permanências entre 90 e 120 dias voltadas à transferência de tecnologia e capacitação de equipes locais. Alexandre Baldy, vice-presidente da montadora no país, destaca que nenhum equipamento do antigo parque da Ford serviu para os processos da empresa chinesa, líder em veículos elétricos.
Impactos
Em Camaçari, cidade de 300 mil habitantes que sofreu com o fechamento da Ford em 2021, a chegada dos chineses aqueceu hotéis e o mercado imobiliário.
Contudo, a presença estrangeira gerou controvérsias, incluindo conteúdos nas redes sociais com informações falsificadas e distorcidas sobre uma suposta "cidade chinesa".
A legislação brasileira exige que dois terços dos empregados e da folha salarial sejam nacionais, mas permite flexibilizações quando há insuficiência de mão de obra qualificada. Entre os profissionais autorizados desde 2025, 47% possuem ensino superior, atuando principalmente como técnicos especializados e operadores de montagem, em movimento incentivado por Pequim para facilitar investimentos externos.

