O jogador argentino Matías Pourrain denunciou as condições que afirma ter enfrentado durante os 22 dias em que permaneceu detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). "Fiquei quase três dias sem comer. Nunca pude tomar banho", disse em entrevista publicada na segunda-feira (31).
Jogador do Miami United e residente nos Estados Unidos desde 2019, Pourrain foi interceptado em 6 de agosto no Aeroporto Internacional de Miami quando se preparava para viajar com a equipe para Los Angeles para disputar uma partida.
Segundo ele, duas pessoas vestidas à paisana pediram que as acompanhasse para verificar sua documentação e depois se identificaram como agentes do ICE.
Pourrain afirmou que entrou no país com visto de turista, iniciou posteriormente um processo migratório e possui uma autorização de trabalho válida até 2030. "A única coisa que fizeram foi me prender e me fazer pagar US$ 20 mil. Mas minha situação continua igual, tenho que esperar a resolução", declarou.
Condições da detenção
Durante uma transferência, o argentino afirmou ter permanecido mais de 24 horas amarrado a uma cadeira, algemado nas mãos e nos pés e com uma corrente ao redor do corpo. Segundo seu relato, havia cerca de 80 pessoas no local.
Pourrain também denunciou superlotação e problemas sanitários. Disse que chegou a dividir um cômodo de cerca de cinco por três metros com outras 67 pessoas e apenas dois vasos sanitários.
O jogador afirmou que o bebedouro usado pelos detentos ficava no mesmo espaço onde eles urinavam. Disse ainda que perdeu cerca de 3,5 quilos durante a detenção.
"A comida tinha bolinhas pretas como fungos", afirmou. Segundo Pourrain, ele tentava comer no início, mas acabava vomitando.
Pressão psicológica
"É uma tortura mental para que você se canse e assine a saída voluntária. Brincam com a sua cabeça", afirmou. Ele disse que, em duas ocasiões, foi informado de que seria transferido, mas acabou levado de volta ao cômodo.
O jogador foi libertado após pagar fiança de US$ 20 mil (aproximadamente R$ 103 mil), fixada sob o argumento de que havia risco de fuga. Pourrain rejeitou essa possibilidade e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda uma decisão sobre sua situação migratória.