
Freira quebra silêncio após detenção pelo ICE a caminho da missa

A freira nigeriana Leticia Ugboaja afirmou nesta quinta-feira (23) que entrou em "suor frio" ao ser abordada por dois agentes armados do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) enquanto caminhava para a missa, em McAllen, no Texas. Detida em 28 de junho, ela falou publicamente pela primeira vez desde o episódio, informou a AP.
Ugboaja contou que seguia para a igreja refletindo sobre as leituras bíblicas do dia quando foi abordada pelos agentes. Ela levava apenas um rosário e um telefone celular.
"Naquele momento, eu não entendia o que estava acontecendo comigo", afirmou durante entrevista coletiva na Igreja Our Lady of Sorrows.
Segundo o advogado Carlos Garcia, a religiosa, de 56 anos, tem proteção judicial contra deportação para a Nigéria desde 2019 porque um juiz concluiu que ela poderia ser torturada caso retornasse ao país.
Ele afirmou que Ugboaja cumpriu todas as exigências das autoridades migratórias, tinha autorização para trabalhar nos Estados Unidos e foi libertada poucas horas após a detenção. De acordo com Garcia, o governo pretendia enviá-la para um terceiro país.
Apelo

A freira disse que decidiu falar publicamente para defender outras pessoas que vivem em situação semelhante.
"Há muitas outras pessoas nessa mesma situação, que seguiram todas as regras e ainda vivem na incerteza", declarou.
Ugboaja também afirmou que pediu aos agentes para participar da missa e receber a comunhão antes de ser levada, mas teve o pedido negado. "Para mim, como freira, não ir à missa no domingo e não receber a comunhão foi algo muito doloroso", disse.
