Em pronunciamento à nação, Delcy Rodríguez comenta o acordo petrolífero com os Estados Unidos

No discurso, a presidente encarregada da Venezuela argumentou que as reservas do país deveriam servir ao bem-estar de seu povo e não serem meras estatísticas.

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento à nação neste sábado (29) para discutir o acordo que assinou com o governo dos Estados Unidos, o qual permite a Washington administrar 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano.

Em seu discurso, Rodríguez afirmou que o acordo "histórico" garante o investimento necessário para aproveitar as "maiores reservas de petróleo do mundo" do país. "Precisamos de investimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade produtiva para transformar essa riqueza em bem-estar para o nosso povo", declarou.

"É inútil termos nossas reservas de petróleo no subsolo apenas para que apareçam em uma estatística ou em uma contabilidade e possamos dizer que somos o país com as maiores reservas do mundo, quando não podemos convertê-las e traduzi-las em desenvolvimento para a Venezuela", enfatizou.

A presidente afirmou que o acordo se baseia numa premissa "muito simples": "cada parte contribui com o que sabe fazer melhor", o que significa que a Venezuela contribui com petróleo, infraestrutura petrolífera e a experiência de seus trabalhadores, enquanto os EUA adicionam o capital e a tecnologia necessários para "recuperar e desenvolver esses recursos".

Vantagens para a Venezuela?

Em contrapartida, Caracas recebe uma série de vantagens, como o aumento da produção de petróleoa criação de empregos, o investimento em infraestrutura e "maior receita para o Estado", destacou.

Rodríguez explicou que o acordo de 25 anos inclui "o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos com uma meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia". "Este é apenas o acordo bilateral", afirmou, acrescentando que também foram assinados acordos com grandes empresas de energia, como Chevron, Repsol, Shell e BP.

Segundo a mandatária, tomando 65 dólares como preço de referência por barril, a receita da Venezuela chegaria a 209,335 bilhões de dólares, o que significa que para cada barril produzido e vendido o país receberia cerca de 19 dólares.

Rodríguez agradeceu ao governo dos Estados Unidos, em particular, ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio pelo "esforço" dedicado à obtenção do acordo, ressaltando que a Venezuela mantém a soberania sobre seus recursos.

"A Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos, ao mesmo tempo que utiliza capital, tecnologia e capacidade operacional para alavancar a recuperação de um setor estratégico severamente afetado pelas sanções", concluiu.