A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta sexta-feira (28) que o "Caso Bucha" foi usado para interromper as negociações entre Moscou e Kiev na primavera de 2022.
"Bucha é uma operação informacional e política especial realizada pelos britânicos junto com jornalistas da BBC com o único propósito de sabotar as negociações", declarou Zakharova durante o Fórum Pan-Russo de Veteranos da Operação Militar Especial "Juntos Venceremos".
Segundo a porta-voz, as partes haviam delimitado possíveis acordos quando o então primeiro-ministro britânico Boris Johnson chegou a Kiev. Zakharova afirmou que a "tragédia" de Bucha teria sido encenada e divulgada por canais da BBC, e disse que não existem listas oficiais dos mortos.
Comparação histórica
Zakharova classificou Bucha como um "fake global" e comparou o episódio ao chamado massacre de Nemmersdorf, em outubro de 1944. Segundo ela, colaboradores de Joseph Goebbels teriam encenado um assassinato em massa de civis após a passagem do Exército Vermelho pela localidade.
A porta-voz afirmou que o episódio de Nemmersdorf ganhou repercussão internacional e que, no início dos anos 2000, o Escritório de Política Exterior da Alemanha teria reconhecido oficialmente os fatos como uma provocação.
Em junho, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou que o chanceler Sergey Lavrov enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, com questionamentos sobre Bucha, mas não recebeu uma resposta considerada séria.
Questionamentos russos
Lavrov também afirmou em março que, quase quatro anos após as primeiras reportagens sobre Bucha, ainda não havia sido apresentada uma lista das pessoas supostamente mortas no local.
"Não é uma pergunta justificada por parte do país acusado dessas 'atrocidades'? Não conseguiram provar nada", declarou o chanceler.
Caso Bucha
- Em abril de 2022, foram divulgadas imagens de corpos caídos nas ruas de Bucha, alguns com as mãos amarradas. O assessor do gabinete do líder do regime de Kiev, Mikhail Podolyak, declarou que os civis "estavam desarmados", "não representavam nenhuma ameaça" e "foram mortos a tiros por soldados russos".
- No entanto, a Rússia classificou como "provocação" as imagens dos corpos de civis nas ruas da cidade ucraniana e denunciou que se tratava de uma "encenação" criada "para a mídia ocidental".
- Moscou também argumentou que as imagens foram divulgadas vários dias após as unidades russas se retirarem completamente de Bucha.