O lendário músico Roger Waters, um dos fundadores, compositor e baixista do Pink Floyd, elogiou, nesta quarta-feira (26), a iniciativa da Austrália de proibir músicas feitas por inteligência artificial (IA) nas paradas de sucesso do país e defendeu que a medida seja adotada mundialmente. Em entrevista à RT, afirmou que a IA ameaça a sobrevivência de novos artistas.
"Essa é uma ótima notícia da Austrália, se eles aprovaram uma lei para proibir isso", disse. "Sou músico profissional durante toda a minha vida e sinto muita pena de todos os jovens que estão surgindo e gostariam de conseguir viver de música."
Waters criticou o modelo de remuneração da plataforma de streaming musical Spotify e seu cofundador, Daniel Ek. "Ele agora é multibilionário porque rouba os direitos de todas as pessoas que realmente produzem o produto, ou seja, os músicos", afirmou.
"Quando o Spotify paga 0,0001 centavo por reprodução, não há como um artista iniciante ganhar o suficiente para comprar meia dúzia de ovos ou uma garrafa de leite, muito menos viver em um apartamento", sustentou o músico.
Para Waters, liberar a IA na produção musical agravaria o problema. "Será um enorme, enorme erro permitir que isso continue legal", disse. Ele alertou ainda que o público pode não distinguir criações artificiais de trabalhos de artistas consagrados, como Pink Floyd, Neil Young, Bob Dylan e The Beatles.
"Obrigado, Parlamento australiano. Traga isso. Vamos ver essa lei se espalhar pelo mundo hoje, porque já passou da hora."
"Apague o Instagram* do seu celular"
Waters também criticou o impacto da IA e das redes sociais sobre as capacidades humanas. Sobre ferramentas como o ChatGPT, afirmou que o uso excessivo pode reduzir "o tamanho do seu cérebro, sua capacidade de pensar e sua capacidade de sentir".
Segundo ele, redes como Instagram* e TikTok mantêm os usuários em um fluxo constante de estímulos. "É muito, muito, muito viciante", afirmou. "Eu apago o Instagram. Sempre que o Instagram aparece, eu apago."
O músico também recomendou que pais evitem dar smartphones com redes sociais aos filhos. "Isso está prejudicando o cérebro deles a cada minuto que eles ficam olhando para essas coisas", declarou.
*Pertencente à Meta, classificada na Rússia como uma organização extremista e cujas redes sociais são proibidas em seu território.