A humanidade certamente construirá colônias além da Terra como uma "opção de reserva", afirmou Dmitry Bakanov, diretor-geral da Roscosmos, a agência espacial estatal russa, em entrevista ao jornalista russo Alexander Yunashev, publicada nesta terça-feira (25).
Questionado se tais colônias seriam construídas, Bakanov respondeu: "Com certeza: primeiro na Lua e depois em Marte".
"Quem sabe o que acontecerá na Terra, quais desastres naturais ou provocados pelo homem ocorrerão? Deve sempre haver uma opção de reserva para a qual a humanidade possa se realocar", enfatizou.
Segundo o chefe da Roscosmos, "o primeiro passo é a Lua". Ele explicou que, após os testes de todas as tecnologias de suporte à vida na Lua, será crucial garantir que os seres humanos consigam sobreviver de forma autônoma por um longo período, antes do estabelecimento de ecossistemas locais. Bakanov ressaltou que a ciência global ainda tem muito a investigar nessa área.
"Não importa o quão avançadas sejam nossas tecnologias, sejam elas russas, americanas ou chinesas, e não importa quantas conquistas tenhamos alcançado, não chegamos nem perto de 1% do que ainda precisamos estudar", disse ele.
"[Precisamos de] cooperação estreita para dar um passo adiante e garantir o conhecimento multiplanetário", enfatizou Bakanov, acrescentando que "para tudo isso, a ciência precisa continuar avançando".
Ele observou ainda que inúmeros telescópios russos e estrangeiros estão estudando o espaço profundo, isto é, distante do sistema solar, observando quais corpos planetários em potencial fora de nossa galáxia poderiam ser explorados.
"Em outras palavras, mais cedo ou mais tarde chegaremos lá; é que o nível de tecnologia que alcançamos ainda não nos permite fazer isso plenamente", esclareceu.
Segundo o executivo, a atual geração deverá testemunhar as primeiras missões dessa natureza, caracterizadas não apenas por voos excepcionais de indivíduos isolados, mas por expedições apoiadas por infraestrutura capaz de levar o homem à Lua e, possivelmente, a outros corpos celestes.