A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez nesta segunda-feira (24) um pronunciamento à nação no qual resumiu as medidas adotadas por seu governo para enfrentar tanto as consequências dos dois terremotos de quarta-feira (24), quanto outras questões relacionadas à vida econômica, política e social do país.
"Somos obrigados a fazer mais. Há outra tarefa que não pode esperar: tornar a vida dos cidadãos mais fácil",afirmou Rodríguez, ao se referir às medidas destinadas a melhorar a economia, reduzir a burocracia, simplificar procedimentos e fortalecer o tecido social.
"Queremos um Estado que resolva, não que complique nem atropele. [...]. Estamos trabalhando em um sistema tributário mais simples, automatizado, transparente para os contribuintes e que, além disso, gere receitas para o sistema de proteção social do país e do nosso povo", detalhou.
"Ainda falta muito"
As questões econômicas tiveram destaque durante o pronunciamento. Rodríguez enfatizou que, "em meio à emergência", a produção de petróleo "não parou" e atualmente supera 1,2 milhão de barris por dia, seu nível mais alto desde fevereiro de 2019. Ela acrescentou que foram assinados "mais de 50 acordos estratégicos em petróleo e gás que trarão novos investimentos para mais de 76 áreas produtivas".
Rodríguez também destacou que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) "projeta um crescimento de 6,5% para a Venezuela neste ano, o maior da região", somando-se a "21 trimestres consecutivos de expansão" e a outras medidas, como a redução da diferença cambial, com impacto direto na economia das famílias.
"São números importantes, mas estão longe de ser o objetivo final, porque ainda falta muito para recuperar uma economia gravemente afetada por sanções. O objetivo é que uma economia em crescimento possa se traduzir em emprego, melhores rendimentos para os trabalhadores, serviços e oportunidades para as famílias", acrescentou.
Recuperação da "relação com o mundo"
Nos últimos meses, Caracas "regularizou" sua relação com instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, lembrou Rodríguez. Além disso, mencionou que seu governo está "restabelecendo relações econômicas, diplomáticas e consulares com diferentes países".
"Fazemos isso porque a Venezuela precisa de investimento, tecnologia, financiamento, mercados e cooperação, e nossos compatriotas no restante do mundo, a diáspora venezuelana, precisam de um país que possa acompanhá-los e prestar seus serviços normalmente", argumentou.
Nesse sentido, defendeu que a relação entre o país sul-americano e o restante do mundo "deve ser guiada por uma ideia simples: os interesses da Venezuela e o bem-estar dos venezuelanos".
Outras medidas
A presidente encarregada apresentou um balanço das ações que seu governo vem realizando para atender às vítimas do terremoto, no contexto da fase de reconstrução pós-desastre.
Ela mencionou a assistência aos afetados em acampamentos temporários, a alocação, aquisição no mercado secundário e construção de novas moradias para as famílias atingidas, bem como a melhoria dos serviços públicos.
Sobre este último ponto, Rodríguez ressaltou que esses trabalhos já estavam em andamento antes dos tremores de terra, mas que o desastre, somado à emergência climática, obrigou a acelerar os planos.
Além disso, ela se referiu ao processo de fortalecimento institucional por meio de ações concretas, como a eliminação dos postos de controle policial nas cidades — que serão substituídos por patrulhamento intensivo —, a revisão, em colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, das condições vigentes nos centros de detenção e medidas “para o reencontro entre os venezuelanos”.
"Podemos pensar de forma diferente, podemos defender posições políticas distintas, mas precisamos ser capazes de trabalhar juntos quando estão em jogo questões que afetam a todos nós”, afirmou, fazendo referência em seguida aos primeiros resultados alcançados no diálogo estabelecido com um setor da oposição e do Programa de Convivência Democrática.
E concluiu: "Ainda temos problemas importantes a resolver, sem dúvida. […]. Não vou dizer a vocês que tudo está resolvido, mas posso afirmar que temos claro o caminho a seguir: reconstruir o que o terremoto destruiu, melhorar os serviços públicos de que todos precisamos, impulsionar nossa economia, gerar empregos e oportunidades, simplificar o funcionamento do Estado e nos reconectarmos com o mundo".