Tesouro petrolífero pode salvar a economia da Argentina?

Petróleo bruto liderou exportações no primeiro semestre, mas analistas duvidam que avanço seja suficiente para reerguer a economia.

Vaca Muerta, um dos maiores campos de hidrocarbonetos não convencionais do mundo, desponta como uma das principais ferramentas para enfrentar a "instabilidade econômica crônica" da Argentina. É o que aponta uma avaliação do The New York Times publicada nesta segunda-feira (24).

No primeiro semestre, o petróleo bruto tornou-se pela primeira vez o principal produto de exportação do país, com crescimento de 47,7% na comparação anual. O produto respondeu por 9,5% das vendas externas, acima dos 8,4% do milho e da farinha e dos pellets de soja.

O governo argentino classifica Vaca Muerta como "um recurso de classe mundial que está mudando a realidade energética do país" por meio da produção de gás e petróleo não convencionais. Mais de 30 empresas nacionais e internacionais investem na área.

Em Añelo, localidade próxima aos campos, o avanço da atividade atrai trabalhadores. Ezequiel Barrozo, de 27 anos, mudou-se de Rosário e afirmou ganhar atualmente três vezes o que recebia como policial. "Me disseram que, se viesse para cá, teria uma grande oportunidade", contou.

Dúvidas econômicas

Apesar do avanço, analistas questionam se o potencial de Vaca Muerta será suficiente para reerguer a economia argentina. As medidas adotadas pelo presidente Javier Milei atraíram investimentos, mas também enfraqueceram a demanda interna.

"Este é o paradoxo da nova Argentina", afirmou o ativista indígena mapuche Lef Nawel, de Neuquén, ao mencionar o aumento do custo de vida na província. "Ou você está dentro ou está fora", declarou.

Impacto local

A exploração também enfrenta críticas ligadas à preservação ambiental. Comunidades como a mapuche questionam o manejo de resíduos químicos em meio à crise climática.

A dirigente mapuche Olga Mabel Campo afirmou que os ganhos das empresas não chegam da mesma forma às comunidades locais. "Eles extraem o petróleo e o levam embora. Mas nós somos os que ficamos", declarou.