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Moody's melhora classificação de risco da Argentina: um sinal de recuperação?

A agência elevou a classificação da dívida soberana de Caa1 para B3, considerando que o risco de inadimplência havia diminuído.
Moody's melhora classificação de risco da Argentina: um sinal de recuperação?AP / Rodrigo Abd

A Moody's Ratings elevou a classificação de crédito da Argentina na terça-feira (21). A agência aumentou sua avaliação de dívida soberana de longo prazo — tanto em moeda local quanto estrangeira — de Caa1 para B3, e revisou a perspectiva de "estável" para "positiva". A decisão alinha-se com as elevações já concedidas pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, conforme reportou o jornal La Nación.

A agência explicou que a mudança reflete uma redução significativa no risco de inadimplência, sustentada pela consolidação da estabilização macroeconômica. Segundo ela, o ajuste fiscal inicial abriu espaço para melhorias mais duradouras nos fundamentos de crédito e no fortalecimento da governança econômica.

Os pilares da recuperação

A Moody's destacou que o superávit fiscal sustentado, a desaceleração da inflação e o avanço da liberalização econômica reforçaram a credibilidade das políticas governamentais. A melhoria da posição externa também pesou na decisão — resultado do crescimento das exportações, do investimento estrangeiro e do maior acesso ao financiamento.

A nova perspectiva "positiva" sinaliza que o perfil de crédito deve continuar se fortalecendo à medida que as melhorias estruturais avançam e a estabilidade macroeconômica se consolida.

A cautela com a política

Mas não é só otimismo. A agência alertou que o risco político segue como restrição à classificação. As eleições presidenciais de 2027 representam uma fonte de incerteza, embora a Moody's veja agora uma probabilidade maior de continuidade das políticas econômicas comparada a processos eleitorais anteriores.

A agência também elevou o teto da dívida em moeda local para Ba3 e o da dívida em moeda estrangeira para B1. Projeta crescimento do PIB de 3,4% para 2026 e 3,5% para 2027, impulsionado por investimentos nos setores de energia, mineração e infraestrutura.

O Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) tem sido um destaque, mobilizando um portfólio de projetos no valor aproximado de US$ 141,7 bilhões, dos quais US$ 45 bilhões já estão em execução. Contudo, a Moody's alerta que o país precisa manter a disciplina macroeconômica para fortalecer as reservas e se blindar contra possíveis choques externos ou políticos.