Entenda o 'terremoto político' que desafiou a liderança da presidente mexicana

Na última sexta-feira (21), o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, surpreendeu o país com o anúncio de seu retorno ao governo do estado, cargo do qual havia se afastado em 1º de maio.

A decisão inesperada do governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, de retornar ao cargo sem a autorização da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, desencadeou a mais grave crise política enfrentada pela presidente em quase dois anos de mandato.

Na última sexta-feira (21), Rocha Moya surpreendeu o país com o anúncio de seu retorno ao governo do estado, cargo do qual havia se afastado em 1º de maio, após os Estados Unidos solicitarem sua prisão e extradição por supostos vínculos com o Cartel de Sinaloa.

A oposição imediatamente especulou que se tratava de uma rebelião dentro do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), partido governista, e que o governador teria a bênção do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), que assim romperia politicamente com Sheinbaum.

Segundo essa versão, defendida pelo político Ricardo Pascoe em suas redes sociais, o retorno do governador ao cargo seria uma resposta do ex-presidente ao assédio sofrido por seu filho, Andrés Manuel López Beltrán, cujo visto foi revogado pelos EUA sem justificativa. Contudo, essa informação não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas.

A suspensão da emissão de vistos tornou-se parte da estratégia do governo Trump para pressionar governos que não se submetem às suas políticas, como é o caso de Sheinbaum, que se recusa a permitir a entrada de tropas americanas no México.

Dura resposta de Sheinbaum

A presidente respondeu em suas redes sociais aproximadamente um dia após o anúncio inicial de Rocha Moya: "Nenhum interesse pessoal pode jamais estar acima dos interesses do povo e da nação. E muito menos quando o que está sendo colocado acima do México não é o bem-estar de seu povo, mas a ambição desenfreada pelo poder pelo poder".

"Poder sem princípios torna-se arrogância; poder sem limites, abuso; e poder que esquece o povo acaba enfrentando a história. O México merece servidores públicos que entendam que os cargos são temporários, mas a responsabilidade para com a Nação é eterna. O povo não está aqui para alimentar ambições pessoais", alertou.

Pouco tempo depois da mensagem de Sheinbaum, Rocha Moya, derrotado, solicitou novamente licença do cargo. "Sinaloa, a nação e o movimento de transformação estão acima de tudo", afirmou. Permanece incerto, porém, se a presidente continuará a recusar o pedido de extradição dos EUA contra Rocha Moya ou se finalmente decidirá entregá-lo.