UE corre o risco de ficar para trás em mais uma competição global

Bruxelas identificou 75 "projetos estratégicos" para os quais prometeu procedimentos mais rápidos e cerca de 6 bilhões de euros em apoio, mas sem garantir financiamento direto e com licenças que continuam complexas.

A União Europeia corre o risco de ficar ainda mais para trás dos Estados Unidos na corrida para garantir minerais críticos, essenciais tanto para a defesa quanto para as tecnologias verdes, segundo reportagem do Financial Times.

Enquanto Washington disponibilizou um pacote de ajuda de quase US$ 40 bilhões para projetos de mineração em apenas dois anos — incluindo participações acionárias em produtoras de terras raras e acordos de preço mínimo —, Bruxelas identificou 75 "projetos estratégicos" para os quais prometeu procedimentos mais ágeis e cerca de 6 bilhões de euros (US$ 7,012 bilhões) em apoio, mas sem garantir financiamento direto e com licenças que permanecem complexas.

"O problema é que os americanos pegam uma ideia e a executam, enquanto nós, europeus, hesitamos, criamos burocracia excessiva, falamos demais e perdemos tempo", lamentou Bernd Schafer, diretor da EIT RawMaterials, que representa a indústria de minerais críticos na UE.

Diversos especialistas alertam que, se a Europa não acelerar seus esforços, poderá passar da dependência da China para uma nova dependência dos EUA, que já investiram em empresas europeias do setor e estão promovendo seu próprio fórum (Forge) para desenvolver cadeias de suprimentos que ofereçam alternativas a Pequim.