
Irã alerta para duras consequências das novas sanções dos EUA

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, alertou nesta sexta-feira (21) para "a erosão total da soberania como fundamento do sistema interestatal baseado na ONU" como consequência das novas restrições econômicas impostas pelos EUA contra o país persa.
Em uma mensagem publicada em suas redes sociais, Baghaei denunciou as novas sanções econômicas impostas pelos EUA contra o Irã e as classificou como ilegais. Na avaliação do porta-voz, essas medidas vão além de uma "guerra econômica" e representam uma pretensão de soberania extraterritorial sobre todos os Estados-membros da ONU.

Baghaei afirmou que nenhum país pode obrigar bancos, empresas ou aeroportos estrangeiros a deixar de manter relações comerciais legais com um terceiro Estado. Nesse sentido, declarou que "tais sanções secundárias carecem de fundamento no direito internacional" e violam o princípio da igualdade soberana consagrado na Carta das Nações Unidas.
O porta-voz acrescentou que o uso da coerção econômica para forçar mudanças políticas constitui um ato internacionalmente ilícito. Ele também advertiu que, combinada com um bloqueio naval, essa estratégia torna a soberania de outros Estados "provisória, condicional e revogável".
Segundo Baghaei, o resultado final seria uma perigosa porta de entrada para o "retorno ao colonialismo em grande escala", além de provocar o enfraquecimento da soberania como base do sistema internacional sustentado pela ONU.
Consequências econômicas tremendas
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (19) que lançará contra o Irã "a operação econômica mais devastadora já realizada contra qualquer país", além de ameaçar impor duras sanções financeiras a qualquer nação que ajude Teerã a contornar as restrições em vigor.
Ele também destacou que qualquer país cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam ao Irã um "salva-vidas" enfrentará, em suas palavras, "consequências econômicas tremendas".
Fadada ao fracasso
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a campanha de pressão econômica de Washington está fadada ao fracasso. "Esse filme repetitivo também está condenado ao fracasso", escreveu ele em suas redes sociais.
Araghchi lembrou que os EUA já haviam prometido, há 14 anos, impor as sanções mais duras da história e, segundo ele, "fracassaram". "Já vimos esse filme antes; a mesma velha história, só que com outros valentões", acrescentou.
