Há 66 anos, as cachorrinhas soviéticas Belka e Strelka voltavam do espaço em segurança

Cadelas completaram 17 órbitas da Terra e retornaram com vida em 1960; reação de Belka influenciou limite do primeiro voo tripulado

Em 19 de agosto de 1960, há 66 anos, as cadelas Belka e Strelka partiram de Baikonur, na União Soviética, em uma missão espacial de 25 horas. Elas completaram 17 órbitas na Terra e retornaram com vida. O experimento ajudou a definir parâmetros usados posteriormente no primeiro voo tripulado do cosmonauta Yuri Gagarin.

Durante a quarta órbita, Belka apresentou inquietação, tentou se soltar das amarras e vomitou, enquanto Strelka permaneceu calma. O episódio convenceu os projetistas a limitar a missão de Gagarin a apenas uma órbita, para reduzir riscos.

As duas cadelas eram monitoradas continuamente por câmeras e sensores durante o voo e recebiam alimentação por meio de comedouros automáticos. O retorno ocorreu sem problemas em 20 de agosto, na área prevista para o pouso.

Seleção e repercussão

Belka e Strelka faziam parte de um programa que recrutava exclusivamente cães vira-latas recolhidos das ruas. Os animais precisavam ter pelagem clara, pesar até 6 kg, medir no máximo 35 centímetros e ter entre 2 e 6 anos.

No dia seguinte ao retorno, as cadelas foram apresentadas em uma coletiva de imprensa. Suas imagens circularam em jornais, pôsteres, cartões-postais, selos e broches, e elas também foram levadas a escolas e jardins de infância.

Depois da missão, Belka e Strelka retornaram ao Instituto Estatal de Pesquisa de Medicina Aeroespacial, onde deixaram de ser treinadas, mas continuaram sob acompanhamento médico para verificar possíveis efeitos prolongados da radiação e do estresse.

Meses depois, Strelka deu à luz seis filhotes saudáveis. Um deles, Pushinka, foi entregue pelo líder soviético Nikita Khrushchev à primeira-dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy.

Belka e Strelka viveram até a velhice no instituto. Após a morte, foram empalhadas e passaram a integrar o acervo do Museu Memorial da Cosmonáutica, em Moscou.