A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, teria enviado uma minuta de contrato de venda com dispensa de licitação de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, segundo aponta uma mensagem de WhatsApp* encontrada pela Polícia Federal (PF). Na época, a empresária tentava emplacar um acordo com a pasta que acabou não se concretizando devido ao escândalo de corrupção dos descontos ilegais do INSS.
Marcola teria confirmado por meio de interlocutores que recebeu a tal minuta, mas que não a encaminhou para ninguém, reconhecendo que o ato foi "inadequado", segundo informou O Globo na terça-feira (18). A defesa de Luchsinger afirmou que não vai se manifestar, já que o processo corre sob segredo de justiça.
Roberta foi procurada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", por ter facilidade de interlocução com figuras influentes do governo. As investigações apontam que ela teria recebido R$1,5 milhão de Antunes para supostamente viabilizar a venda de medicamentos de canabidiol ao Ministério da Saúde e sua subsequente disponibilização aos SUS. O "Careca" foi preso por supostamente desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS.
Lulinha é alvo de três inquéritos suspeito de fazer tráfico de influência no governo como lobista. A PF teria tido acesso a mensagens entre ele e Luchsinger em que os dois discutiam negócios "em outro nível", e que, segundo a empresária, "o futuro deles é a Suíça", informa a reportagem. Ambos negam fazer parte de qualquer esquema ilegal.
* Pertencente à Meta, сlassificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.