O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu aval para o Brasil devolver ao Paraguai o "Canhão El Cristiano", troféu capturado pelas forças brasileiras durante a Guerra do Paraguai (também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança). A decisão foi acertada em uma reunião com comandantes militares e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, no fim de julho. A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (18).
A autorização não significa que a entrega será imediata. A restituição ainda depende de trâmites e negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores, que deverá definir as condições para a transferência da peça.
O novo pedido paraguaio ganhou força depois de Lula afirmar, em 24 de julho, que "um belo dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", ao falar sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Parlamentares paraguaios reagiram e acusaram o presidente brasileiro de "distorcer a história" e simplificar as causas do conflito.
Atrito diplomático
Em 29 de julho, o Congresso do Paraguai aprovou uma declaração contra as falas de Lula e pediu à chancelaria do país que buscasse a restituição do Canhão "El Cristiano" e de outros troféus de guerra mantidos no Brasil.
No dia seguinte, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para receber uma nota oficial em resposta às declarações do presidente brasileiro.
Em 31 de julho, o Paraguai amenizou o atrito. O vice-presidente Pedro Alliana afirmou que as explicações apresentadas pela diplomacia brasileira foram satisfatórias e que o governo não pretendia aprofundar a tensão com o Brasil.
Canhão "El Cristiano"
O Canhão "El Cristiano" foi fundido no Paraguai em 1867 com bronze retirado de sinos de igrejas para ser usado durante a Guerra da Tríplice Aliança. Posteriormente, foi capturado pelas forças brasileiras como troféu de guerra.
A peça, de 12 toneladas, é considerada um símbolo histórico da resistência paraguaia e integra o acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
A reivindicação pela devolução antecede a controvérsia provocada pelas declarações de Lula. O Paraguai tenta recuperar o canhão por meio de negociações diplomáticas há mais de 15 anos.