Omã, um país fundamental nas negociações com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, voltou a ser alvo das advertências de Donald Trump, em meio à frustração do presidente americano com o impasse nas negociações com Teerã, informou o The Wall Street Journal.
Na segunda-feira (17), o líder republicano ameaçou bombardear o sultanato caso a nação do Golfo Pérsico se coloque em seu caminho. "Se Omã entrar no nosso caminho, vamos bombardeá-los até o inferno", disse o presidente à Fox News.
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Autoridades americanas disseram ao jornal que a Casa Branca continua preocupada com a possibilidade de Omã facilitar as negociações nucleares com os Estados Unidos em termos mais favoráveis a Teerã. Segundo essas fontes, alguns assessores de alto escalão acusam Omã, em conversas privadas, de agir de forma dúbia e de se aliar à República Islâmica. Outros, no entanto, acreditam que Trump está usando o sultanato como bode expiatório para desviar a culpa pelo impasse no acordo.
Além disso, segundo autoridades citadas pelo veículo de comunicação, existe um certo receio em Washington de que um possível acordo entre o Irã e Omã possa consolidar a influência de Teerã sobre o Estreito de Ormuz, um corredor estratégico para o comércio global de energia.
Ormuz: ponto central de atrito
O Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, tornou-se um dos principais focos de tensão desde que os Estados Unidos, em conjunto com Israel, lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
Em resposta,Teerã fechou a via marítima e iniciou diálogos com Omã para estabelecer um mecanismo conjunto de trânsito marítimo.
Em 8 de julho, Trump declarou encerrado o cessar-fogo alcançado na noite entre 17 e 18 de junho, após o que as forças norte-americanas lançaram vários ataques contra o Irã. Washington acusou Teerã de atacar embarcações comerciais em Ormuz, enquanto o Irã denunciou violações dos Estados Unidos ao memorando de entendimento e respondeu com diversos ataques contra bases militares americanas no Oriente Médio.
Em 5 de agosto, Teerã informou que Irã e Omã acordaram as coordenadas geográficas de uma nova rota através do Estreito de Ormuz.
Em 8 de agosto, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que a nova ordem imposta pelo Irã no Estreito de Ormuz é "irreversível" e advertiu que os Estados Unidos não têm alternativa senão aceitá-la ou "arcar com custos muito maiores" do que no passado.
Em 9 de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que prevê novas normas para o trânsito pelo estreito, assegurando que nenhuma embarcação poderá atravessá-lo sem autorização do Irã.