O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que seu país não abrirá o Estreito de Ormuz até que os Estados Unidos cumpram os termos do Memorando de Islamabad, assinado em meados de junho entre Washington e Teerã.
"O Estreito de Ormuz não será aberto sem que primeiro seja suspenso o bloqueio, liberados os ativos congelados, suspensas as sanções ao petróleo, encerradas as ameaças e operações militares em todas as frentes e cumpridas as demais condições do acordo", escreveu nesta terça-feira (18) via Telegram.
Ele também alertou que o Irã está pronto para infligir "uma derrota ainda mais severa" a Washington, proporcional às suas "ações e avanços".
Ormuz: ponto central de atrito
O Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, tornou-se um dos principais focos de tensão desde que os Estados Unidos, em conjunto com Israel, lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
Em resposta,Teerã fechou a via marítima e iniciou diálogos com Omã para estabelecer um mecanismo conjunto de trânsito marítimo.
Em 8 de julho, Trump declarou encerrado o cessar-fogo alcançado na noite entre 17 e 18 de junho, após o que as forças norte-americanas lançaram vários ataques contra o Irã. Washington acusou Teerã de atacar embarcações comerciais em Ormuz, enquanto o Irã denunciou violações dos Estados Unidos ao memorando de entendimento e respondeu com diversos ataques contra bases militares americanas no Oriente Médio.
Em 5 de agosto, Teerã informou que Irã e Omã acordaram as coordenadas geográficas de uma nova rota através do Estreito de Ormuz.
Em 8 de agosto, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que a nova ordem imposta pelo Irã no Estreito de Ormuz é "irreversível" e advertiu que os Estados Unidos não têm alternativa senão aceitá-la ou "arcar com custos muito maiores" do que no passado.
Em 9 de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que prevê novas normas para o trânsito pelo estreito, assegurando que nenhuma embarcação poderá atravessá-lo sem autorização do Irã.