Rússia convoca embaixador japonês devido à reação de Tóquio à visita de Putin às Ilhas Curilas

O diplomata não pôde comparecer por motivos não especificados.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, anunciou nesta segunda-feira (17) que convocou o embaixador japonês em Moscou para tratar das objeções de Tóquio contra a presença de Vladimir Putin na ilha de Iturup, parte do arquipélago russo dasIlhas Curilas.

"Ele deverá comparecer ao Ministério das Relações Exteriores e discutiremos a posição das autoridades japonesas em relação à visita do presidente Putin à ilha russa de Iturup, bem como o papel que o embaixador deve desempenhar no seu país de destino", declarou Lavrov durante coletiva de imprensa.

O diplomata japonês não pôde comparecer por razões desconhecidas. "A embaixada não nos deu uma resposta muito clara; hesitaram e depois explicaram que ele não poderia comparecer nem na sexta-feira, 14 de agosto, nem na segunda-feira, 17 de agosto. Ou porque o embaixador não está em Moscou ou porque está indisposto. Não entendemos muito bem", declarou Lavrov.

"Isso é, obviamente, surpreendente, porque o embaixador é conhecido por sua energia inesgotável", acrescentou.

Crise diplomática

No dia 13 de agosto, o presidente chegou à ilha russa de Iturup, onde visitou a fábrica de processamento de peixe Yasny e um hospital, entre outras instalações. Esta foi a primeira visita do líder russo às Ilhas Curilas, cuja parte sul é reivindicada por Tóquio, enquanto Moscou reafirma sua soberania sobre o arquipélago, localizado entre a Península de Kamchatka, na Rússia, e a Ilha de Hokkaido, no Japão.

Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, afirmou que todos os "territórios do norte" — como Tóquio se refere à parte sul das Ilhas Curilas, incluindo Iturup — são "território japonês original do ponto de vista histórico e jurídico".

Ilhas disputadas

Desde meados do século XX, Moscou e Tóquio negociam um acordo de paz definitivo para lidar com as consequências da Segunda Guerra Mundial. O principal obstáculo para alcançar esse acordo é a divergência sobre o destino da parte sul das Ilhas Curilas. 

Quando a guerra terminou em 1945, todo o arquipélago foi incorporado à União Soviética, mas o Japão contesta a posse de Iturup, Kunashir, Shikotan e algumas pequenas ilhas desabitadas.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia tem reiteradamente enfatizado que a soberania russa sobre esses territórios é amparada por um arcabouço jurídico internacional apropriado e é incontestável.

Após o Japão aderir às sanções ocidentais contra a Rússia, Moscou recusou-se, em março de 2022, a continuar as negociações sobre questões relacionadas às Ilhas Curilas e a um tratado de paz. Em abril, Tóquio voltou a referir-se — pela primeira vez desde 2003 — à parte sul das ilhas como "ilegalmente ocupada".

A Rússia baseia sua reivindicação nos documentos da Conferência de Yalta, assinados em fevereiro de 1945, e considera a parte sul das ilhas como sua propriedade em consequência da Segunda Guerra Mundial, uma reivindicação que não está sujeita a revisão.