O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) lançou oficialmente sua campanha neste domingo (16), em um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Em um discurso voltado principalmente à segurança pública, o senador afirmou que o Estado brasileiro perdeu o controle de parte do território nacional para organizações criminosas e prometeu uma política de maior enfrentamento às facções.
Ao abordar o avanço do crime organizado, Flávio ampliou o conceito de soberania para situações do cotidiano. Segundo ele, o brasileiro perdeu a capacidade de exercer controle sobre sua própria casa, rua e bens diante da atuação de criminosos.
Como exemplo, o candidato citou o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e questionou quem exerce efetivamente o poder em regiões dominadas pelo crime: o Estado ou o Comando Vermelho. A partir dessa crítica, apresentou uma de suas principais promessas de campanha: recuperar o controle territorial e ampliar a atuação das forças de segurança contra as organizações criminosas.
Flávio também defendeu que PCC, Comando Vermelho e milícias passem a ser tratados como organizações terroristas. A proposta representa uma das medidas mais duras apresentadas pelo candidato no discurso e foi apresentada como parte de uma estratégia para combater o crime organizado.
Críticas ao governo Lula
A segurança pública também foi utilizada por Flávio para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato afirmou que o atual governo estaria mais disposto a entrar em conflito com outros países do que a enfrentar os criminosos dentro do próprio Brasil.
Flávio mencionou as relações do governo com países estrangeiros e afirmou que Lula "briga com quem está longe", enquanto, na avaliação dele, não enfrenta adequadamente crimes como furtos, tráfico de drogas, estupros, assaltos e homicídios.
A crítica serviu para apresentar sua candidatura como uma alternativa de maior rigor na área de segurança. "Eu vou brigar por você", afirmou ao público.
Homenagem a Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro também teve papel central no ato, apesar de não estar presente fisicamente. Flávio pediu aos apoiadores que imaginassem que seu pai estivesse acompanhando o evento pela televisão e o descreveu como um político "honesto" e "incorruptível", além de afirmar que ele teria sido injustiçado.
O candidato então conduziu o público em uma homenagem ao ex-presidente, que terminou com o coro "Volta Bolsonaro".
A participação de Jair Bolsonaro ocorreu também por meio de uma gravação reproduzida durante o evento. No áudio, o ex-presidente adotou um tom de mobilização e pediu aos apoiadores que reconhecessem a capacidade que têm de transformar o país.
Bolsonaro falou sobre patriotismo, família e fé, afirmando que seu sonho também seria o sonho dos brasileiros. Na mensagem, disse acreditar que os objetivos poderiam ser alcançados e que os obstáculos seriam superados com o apoio de seus aliados e de Deus.
Em um dos momentos mais pessoais da gravação, o ex-presidente relembrou sua família e afirmou que, durante o período mais difícil de sua vida, sua principal preocupação era não deixar órfã sua filha, então com sete anos.
A mensagem terminou com uma convocação à união entre seus apoiadores, reforçando o vínculo entre a trajetória política de Jair Bolsonaro e a campanha de seu filho.