O presidente argentino, Javier Milei, reacendeu no domingo (9) as tensões nas relações com o Brasil, publicando no X mensagens insultando o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Milei compartilhou uma mensagem do legislador americano Carlos Giménez, chamando Lula de "porco" e questionando seu desprezo pelo secretário de Estado americano Marco Rubio.
O presidente argentino também afirmou que Lula deveria ser preso por corrupção, e compartilhou um vídeo de Flávio Bolsonaro, criticando o presidente e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem o próprio Milei já havia se referido como"lixo careca".
Pouco depois, o presidente argentino compartilhou outra publicação chamando Lula de "Lula-ladrão" e questionando suas declarações sobre Rubio.
Rebaixamento das relações
As ações fazem parte de um padrão de agressão, adotado pelo presidente argentino. Na convenção do PL que lançou Flávio como candidato à Presidência, Milei ofendeu Lula e outras autoridades brasileiras.
Depois disso, o Ministério das Relações Exteriores informou ao embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas passariam a ocorrer com o encarregado de negócios argentino. Raimondi também foi informado de que poderia retornar a Buenos Aires.
O embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado para consultas e permanecerá em Brasília enquanto a crise não for resolvida.
As medidas foram adotadas depois das declarações de Milei durante a convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.
Declarações anteriores
Nos dias 2 e 3 de agosto de 2026, durante a convenção, Milei chamou Lula de "ladrão" e "corrupto" em entrevista à emissora argentina LN+. O argentino afirmou que o presidente brasileiro "não é inocente" e declarou que "chamar um ladrão de ladrão é muito menos grave do que cometer o ato de roubar".
Em 27 de julho de 2026, Milei publicou cinco mensagens sobre Lula e acusou o governo brasileiro, sem apresentar provas ou indícios, de financiar uma suposta "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo.
Lula respondeu inicialmente às declarações com a pergunta "Quem é esse cara?". Depois, durante um ato do PSB, classificou a participação de Milei no evento do PL como uma "patacoada" e afirmou que não pretende transformar as divergências em um confronto entre os dois países.