O Discord afirmou neste sábado (15) que uma análise técnica preliminar indica que a morte de uma adolescente de 13 anos não foi transmitida pela plataforma. Segundo a empresa, o servidor foi retirado do ar 25 minutos após a Polícia Civil alertar a plataforma sobre o caso.
A manifestação foi enviada pelo Discord ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e posteriormente encaminhada à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), após a agência determinar a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil.
Segundo a empresa, a polícia comunicou o caso às 3h50 de 22 de julho. O servidor foi retirado do ar às 4h15, enquanto as contas relacionadas ao grupo foram posteriormente banidas. O Discord afirma que sua atuação demonstra o compromisso da plataforma com um "ambiente digital seguro e saudável".
A ANPD, porém, considera que o caso evidencia riscos relevantes para crianças e adolescentes. A agência determinou a suspensão da função de transmissões ao vivo do Discord e avalia se os mecanismos de segurança da plataforma são suficientes para prevenir conteúdos relacionados a violência, automutilação e suicídio.
O Discord afirma ainda que coopera com as autoridades brasileiras e mantém ferramentas destinadas à proteção de menores. A empresa reconheceu separadamente que "não foi rápida o suficiente" para identificar o risco antes da intervenção policial.
Discurso de ódio, automutilação e suicídio
Em 22 de julho, em Naviraí (MS), uma adolescente de 13 anos foi levada a se mutilar e se enforcar em uma transmissão ao vivo, de acordo com investigações da Polícia Civil.
As investigações apontam que os suspeitos utilizavam servidores privados do Discord e também o Telegram para recrutar adolescentes, disseminar discursos de ódio e incentivar automutilação e suicídio.
Segundo o Discord, o servidor privado ligado ao caso foi identificado e desativado antes da morte da adolescente. O grupo funcionava por convite e não podia ser localizado por outros usuários.
Reação das autoridades
A primeira-dama, Janja da Silva, foi uma das pessoas que mostraram indignação com o caso e pediu a bloqueio completo das atividades do Discord no Brasil. O Secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, também acusou a plataforma de possuir "falhas sistêmicas" na moderação do seu conteúdo.
A Advocacia Geral da União ainda vai analisar um plano para ampliar as proteções ao usuário por parte da plataforma, que pode levar a mais medidas contra o Discord caso elas não sejam consideradas suficientes.
Na Rússia, o Discord é completamente banido desde outubro de 2024 após se recusar a remover conteúdo ilegal, como apologia ao terrorismo e venda de drogas ilícitas.
O acesso a conteúdo perigoso e ilegal por crianças adolescentes em redes sociais é uma questão debatida no mundo todo, com diversos países, como a Austrália, optando por banir o acesso de menores de idade a essas plataformas.