
Governo aceita diálogo com empresários que resistem à reciprocidade contra os EUA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (14) que o governo vai ouvir empresários brasileiros e estrangeiros sobre os impactos da aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço dos Estados Unidos, de acordo com a Agência Brasil.
A sobretaxa norte-americana elevou em até 37,5% os impostos sobre parte dos produtos brasileiros. Com o peso das tarifas, o setor privado teme que medidas retaliatórias impactem ainda mais os negócios entre os dois países, o que levou o Planalto a aceitar o diálogo. "[O governo] tem sempre muita cautela e muita responsabilidade", disse o ministro.

"O processo de reciprocidade em um país sério, e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade, demanda oitiva de eventuais interessados e eventuais impactados por uma medida que pode vir ou não a ser adotada no futuro", completou.
O governo abriu oficialmente na quinta-feira (13) o processo para aplicação das medidas. Segundo Durigan, a decisão sobre eventuais contramedidas será tomada após a análise das manifestações.
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A reciprocidade
A Lei nº 15.122 permite ao Brasil impor tarifas, retirar benefícios comerciais ou restringir importações em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
O governo de Donald Trump justifica as tarifas com alegações de práticas comerciais injustas e suposto uso de trabalho forçado no Brasil, acusações rejeitadas em fóruns oficiais com apresentação de provas.
Brasília, por sua vez, aponta motivos ideológicos, particularmente o alinhamento do governo Trump à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2023.
- Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump lançou uma guerra comercial contra diversos países ao redor do mundo sob o pretexto de que havia chegado a hora da "independência econômica dos EUA", atacando nações estrangeiras que "saquearam e exploraram" os EUA por décadas.
- Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais anunciadas pelo presidente no ano anterior, considerando ilegais os fundamentos para sua imposição.
- Apesar disso, o governo Trump continuou sua política tarifária, refinando novas estratégias. Em particular, no final de julho, o governo Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa entre 10% e 12,5% sobre produtos de 60 economias que, segundo Washington, não combateram suficientemente o trabalho forçado. A decisão teria como objetivos "combater o trabalho forçado nas cadeias de suprimentos globais", "proteger os trabalhadores [locais] com a liderança dos EUA" e "tomar medidas enérgicas contra as práticas comerciais mais desleais".
