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Energia eólica: a cruzada de Trump contra moinhos de vento agora tem a China como alvo

Embora o presidente americano alegue que a China não confia no potencial da energia eólica, a capacidade instalada no país asiático cresceu 18,5% somente no ano anterior.
Energia eólica:  a cruzada de Trump contra moinhos de vento agora tem a China como alvoWin McNamee/Gettyimages.ru//CFOTO / Future Publishing/Gettyimages.ru

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a China fabrica turbinas eólicas, mas quase não as utiliza, em entrevista à Real America's Voice na segunda-feira (10). Segundo o presidente, o país asiático possui apenas "uma ou duas" instalações de demonstração, que servem apenas para exibir o tipo de usina.

Trump afirmou que a energia eólica produz "energia ruim" e "destrói a vizinhança", e que ela é uma das formas mais caras de geração de energia.

China expande capacidade de energia eólica e financiamento verde

No entanto, dados divulgados em 22 de julho pela Administração Nacional de Energia da China mostram o exato oposto. Até o final de junho, a capacidade instalada de energia eólica do país cresceu 680 gigawatts, um aumento de 18,5% em relação ao ano anterior. No total, a capacidade de geração de energia eólica da China era de 4.040 gigawatts, enquanto a capacidade de energia solar atingiu 1.270 gigawatts, representando um crescimento anual de 15,8%.

Ao mesmo tempo, o financiamento chinês para energia verde no âmbito da Iniciativa Nova Rota da Seda atingiu o valor recorde de US$ 20,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, superando o total registrado em todo o ano de 2025.

Os ataques de Trump à energia eólica não se resumem a retórica: seu governo pagou quase US$ 4 bilhões à companhias de energia para abandonassem projetos de geração de energia offshore, segundo a AP.

O acordo mais recente envolve um pagamento de US$ 1,22 bilhão à RWE US Offshore, subsidiária americana da empresa alemã de energia, em troca da renúncia às suas licenças na costa de Nova York, Califórnia e Louisiana, que poderiam ter fornecido cerca de 7 gigawatts de capacidade, o suficiente para abastecer mais de cinco milhões de residências. A agência observa que o governo busca desencorajar a expansão da energia eólica em favor dos combustíveis fósseis.

Washington aumenta pressão sobre setor

As declarações de Trump surgem em um momento em que Washington intensifica as medidas comerciais sobre produtos ligados a tecnologias energéticas. O presidente anunciou uma tarifa de 15% sobre as importações depolissilício e seus derivados, juntamente com um preço mínimo de importação. A Casa Branca afirma que a medida visa fortalecer a produção nacional diante da dominância do mercado global.

O polissilício , usado na fabricação de semicondutores, radares militares, sistemas de inteligência artificial e painéis solares, é produzido principalmente pela China. Trump justificou as novas tarifas alegando que as importações "ameaçam prejudicar a segurança nacional". As medidas entrarão em vigor no início de dezembro.