Agenda imperialista: EUA dizem que hegemonia sobre Ocidente 'nunca mais será questionada'

O Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, divulgou um vídeo sobre a Doutrina Monroe e o domínio de Washington sobre o hemisfério ocidental, particularmente sobre a América Latina.

O Departamento de Estado dos EUA publicou nesta terça-feira (11) um vídeo de mais de cinco minutos sobre a Doutrina Monroe e afirmou que a "dominância americana" no hemisfério ocidental "nunca mais será questionada".

A publicação ocorre um dia depois de a China pedir para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além do anúncio de que o gigante asiático incorporará o PIX brasileiro em meios de pagamentos locais.

A Doutrina Monroe

A Doutrina Monroe foi apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso dos EUA em 1823. A declaração advertia as potências europeias contra novas tentativas de colonização ou intervenção nas Américas, abrindo espaço para Washington expandir sua influência na região, enquanto se comprometia a não interferir nos assuntos europeus.

Ao longo do século XIX e, principalmente, no século XX, a doutrina passou a ser utilizada para justificar a reivindicação de uma esfera de influência dos Estados Unidos no continente.

O Corolário Roosevelt, de 1904, por exemplo, serviu de fundamento para intervenções norte-americanas em países latino-americanos. Estudos acadêmicos descrevem essa transformação como parte da construção da hegemonia dos EUA sobre a região.

Retomada do discurso

O vídeo cita episódios como a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, e a política de Ronald Reagan contra grupos apoiados pela União Soviética na América Latina. A narração é do embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera.

Ao abordar o governo Donald Trump, a publicação cita a chamada Operação Resolução Absoluta, que levou ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro deste ano. O episódio é apresentado como um sinal aos demais países do hemisfério.

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