
Vida celular pode ter surgido de forma independente duas vezes, indica estudo

Uma investigação internacional liderada por biólogos da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf (HHU) na Alemanha, nesta quarta-feira (5) encontrou indícios de que a vida celular pode ter surgido de forma independente em dois momentos durante os primeiros estágios da evolução da Terra.
A equipe reconstruiu a evolução de enzimas e analisou genomas, estruturas de proteínas e reações químicas para investigar a origem das primeiras formas de vida, há cerca de 4 bilhões de anos. Os resultados apontam para o surgimento de dois tipos de células pioneiras: bactérias e arqueias, que é o termo coletivamente dado a organismos unicelulares sem núcleo que não podem ser classificados como bactérias.

Os cientistas analisaram um conjunto de 420 reações químicas que compõem o metabolismo e permitem a produção de aminoácidos, bases de RNA e vitaminas a partir de compostos presentes na Terra primitiva, como hidrogênio, amônia e dióxido de carbono.
A análise mostrou que as enzimas responsáveis por essas reações não foram preservadas entre bactérias e arqueias. Segundo os pesquisadores, o último ancestral comum universal de todas as células, conhecido como LUCA (sigla em inglês), tinha enzimas para cerca de metade dessas reações. As demais poderiam ocorrer com a ajuda de metais presentes no ambiente.
Os autores propõem, portanto, que bactérias e arqueias tenham desenvolvido seus próprios sistemas metabólicos de forma independente, a partir de reações químicas espontâneas associadas a metais presentes na crosta terrestre.
