A FIFA saiu em defesa de seu presidente, Gianni Infantino, em meio ao aumento das críticas contra o dirigente e à crescente disputa com dirigentes do futebol europeu.
Em nota divulgada no sábado (8), a entidade afirmou que existe um "esforço coordenado e contínuo" para enfraquecer a FIFA e seu presidente. A organização também declarou que não aceitará acusações consideradas falsas ou sem fundamento.
Segundo a FIFA, Infantino foi eleito pelas associações-membro da entidade e continua exercendo o mandato para o qual foi escolhido. A organização ressaltou ainda que eventuais mudanças em sua liderança devem seguir os procedimentos previstos em seus estatutos.
A manifestação ocorre em um momento de forte tensão entre a FIFA e a UEFA. A confederação europeia passou a pressionar pela saída de Infantino e defende a convocação de um congresso extraordinário para discutir uma possível moção de desconfiança contra o presidente.
A crise ganhou força após uma proposta da FIFA para vender uma participação de 20% em uma nova empresa responsável pela exploração de ativos comerciais relacionados à Copa do Mundo. O projeto, que poderia levantar cerca de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,4 bilhões), foi abandonado após a reação da UEFA e a ameaça de boicote a competições da entidade.
Mesmo após o recuo, a pressão sobre Infantino continuou. A disputa também envolve questionamentos sobre um pagamento de seis dígitos feito a uma ex-funcionária da UEFA durante o período em que o suíço ocupava o cargo de secretário-geral da organização europeia.
A FIFA classificou como falsas as alegações de que o pagamento teria relação com um suposto relacionamento entre Infantino e a ex-funcionária. A entidade afirmou que críticas legítimas são aceitáveis, mas rejeitou o que considera uma tentativa de apresentar informações distorcidas como fatos.
Disputa pelo comando da FIFA
A eleição presidencial da FIFA está prevista para março de 2027, e Infantino busca um terceiro mandato.
A disputa já começa a dividir as confederações. A UEFA tenta ampliar a oposição ao suíço, enquanto a Concacaf se aproximou da posição europeia. Do outro lado, a Confederação Africana de Futebol e a Confederação Sul-Americana de Futebol manifestaram apoio ao atual presidente.
A FIFA afirmou que qualquer alteração em sua liderança deve ocorrer por meio dos mecanismos eleitorais estabelecidos pela própria organização, e não como resultado de pressões externas.
A declaração representa uma defesa pública contundente de Infantino justamente quando a disputa pelo comando da principal entidade do futebol mundial começa a ganhar força antes da eleição de 2027.
Possível rival
Uma das principais vozes pela saída de Infantino é Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol. Na sexta-feira (7), a dirigente pediu a renúncia imediata do presidente da FIFA e afirmou que a entidade chegou a um ponto em que "não há mais volta" na perda de confiança em sua liderança.
Aos 45 anos, Klaveness é advogada e ex-jogadora da seleção norueguesa, pela qual disputou 73 partidas. Em 2022, tornou-se a primeira mulher a presidir a Federação Norueguesa de Futebol. Desde então, ganhou projeção por seus confrontos públicos com a direção da FIFA e por críticas à gestão de Infantino.
A Noruega não apoiou a reeleição do suíço em 2023. Agora, Klaveness passou a ser mencionada como uma possível rival de Infantino na eleição presidencial prevista para março de 2027.
A própria dirigente, porém, evita confirmar uma eventual candidatura. "Sei que meu nome é mencionado, mas isso não está sendo discutido", afirmou à imprensa. Klaveness disse que prefere concentrar o debate nos problemas que, em sua avaliação, são estruturais na FIFA, e não apenas na pessoa que ocupa a presidência.
Seu nome também recebeu o apoio do ex-presidente da FIFA Joseph Blatter. Em uma publicação no X, o antigo dirigente destacou a postura crítica mantida por Klaveness em relação à entidade e afirmou que chegou o momento de uma mulher assumir a iniciativa.